ADPF diz que a devolução de profissionais afeta áreas estratégicas e não resolve a forte evasão na Polícia Federal
ADPF diz que a devolução de profissionais afeta áreas estratégicas e não resolve a forte evasão na Polícia Federal
Reprodução/@adpfonline - 28.fev.2026
19.jun.2026 (sexta-feira) - 23h25 Siga o Poder360 no Google
A ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal) divulgou uma nota, nesta 6ª feira (19.jun.2026), em que manifesta preocupação com a decisão do Ministério da Justiça e Segurança Pública de em solicitar o retorno de delegados cedidos a órgãos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. A entidade afirma que a medida pode afetar instituições que utilizam esses profissionais em funções estratégicas e não enfrenta o que considera ser o principal problema da corporação, que são as questões estruturais da carreira.
A manifestação foi realizada depois de o Ministério da Justiça enviar, nesta semana, ofícios solicitando a devolução de policiais federais cedidos para auxiliar magistrados e atuar em outros órgãos públicos. A medida foi apresentada pelo governo como parte de uma diretriz de fortalecimento da segurança pública e de reforço ao combate ao crime organizado.
De acordo com a apuração do Estadão, nos bastidores do Judiciário e entre integrantes da Polícia Federal, a iniciativa tem sido interpretada como uma possível reação a investigações conduzidas no gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça. As apurações envolvem suspeitas de desvios em aposentadorias do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e supostas fraudes relacionadas ao Banco Master, casos que atingiram aliados do governo.
Em abril, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já havia defendido publicamente o retorno dos delegados cedidos. Na ocasião, afirmou ter determinado ao Ministério da Justiça a convocação de policiais que estariam fora das atividades da corporação. “Eu mandei o ministro da Justiça fazer uma nota convidando todos os delegados da Polícia Federal que estão fora da Polícia Federal. Só vai ficar fora aqueles que forem secretários de Estado”, disse.
Os ofícios enviados aos órgãos públicos foram assinados pelo secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ademar Borges. Segundo ele, cerca de 100 pedidos de retorno foram encaminhados a mais de 50 órgãos das esferas federal, estadual e municipal.
Em manifestação ao Estadão, Borges afirmou que a medida integra um processo iniciado no fim de abril para reforçar atividades finalísticas. “O processo de retorno dos policiais federais, rodoviários federais e policiais penais, seguindo a diretriz presidencial amplamente divulgada, para reforço e valorização das atividades finalísticas e de combate ao crime organizado teve início no fim de abril e continua em curso”, declarou.
Na nota, a ADPF afirma que delegados cedidos são selecionados pela experiência e qualificação técnica acumuladas na Polícia Federal e desempenham funções consideradas relevantes para o fortalecimento de políticas públicas e da gestão estatal. Segundo a associação, o intercâmbio entre órgãos também fortalece o diálogo institucional.
A entidade argumenta ainda que o principal desafio da Polícia Federal está relacionado à evasão de profissionais para outros cargos públicos. Segundo dados apresentados pela associação, nos últimos 3 anos, 104 novos delegados ingressaram na corporação, enquanto 50 deixaram a carreira.
A ADPF também afirma haver redução no interesse pelos concursos da Polícia Federal. De acordo com a entidade, o número de inscritos caiu de 321 mil em 2021 para 218 mil em 2025.
Para a associação, o fortalecimento da corporação precisa de medidas voltadas à valorização da carreira, à retenção de talentos e à melhoria das condições de trabalho, e não à restrição da atuação de delegados em outros órgãos da administração pública.
“A ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal) recebe com preocupação a decisão do Ministério da Justiça e Segurança Pública de solicitar, por meio de ofícios, o retorno de delegados atualmente cedidos para atuação em órgãos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. A medida impacta diretamente instituições que contam com a contribuição desses profissionais em funções estratégicas e de elevada relevância para o Estado brasileiro, bem como prejudica a própria Polícia Federal, que tem nesse intercâmbio de experiências profissionais um excelente canal de diálogo interinstitucional.
Os delegados de Polícia Federal destacados para outros órgãos são selecionados em razão de sua reconhecida experiência, qualificação técnica e expertise adquiridas ao longo de suas trajetórias na Polícia Federal. Esses profissionais vêm desempenhando atividades essenciais para o fortalecimento de políticas públicas, da gestão pública e do aprimoramento institucional, contribuindo de forma efetiva para o interesse nacional.
A ADPF ressalta que o principal desafio enfrentado pela Polícia Federal decorre de questões estruturais da carreira, especialmente da evasão de profissionais para outros cargos públicos. Nos últimos três anos, enquanto 104 novos delegados ingressaram na instituição, 50 deixaram a carreira para assumir outras funções. Paralelamente, observa-se uma expressiva redução no interesse pelos concursos públicos da Polícia Federal, com queda de 321 mil inscritos em 2021 para 218 mil em 2025.
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