John Rodgerson afirma que, com emagrecimento da população, há mais disposição para viajar

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19.jun.2026 às 23h00

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Paulo Ricardo Martins

O CEO da Azul, John Rodgerson, disse em 9 de junho que a companhia economizaria R$ 3 milhões por mês se cada passageiro perdesse 2 quilos. O executivo participou, na ocasião, de um evento promovido pelo Itaú BBA e pela Pague Menos.

Rodgerson havia sido perguntado, no painel, sobre os possíveis benefícios do emagrecimento da população para as companhias aéreas.

"Eu sou o maior promotor de caneta [emagrecedora] que existe, porque o custo do combustível é o mais caro do mundo aqui no Brasil e dobrou nos últimos três meses por causa da guerra [no Irã]", disse. "Se cada cliente perde 2 quilos —que é o que está acontecendo—, eu vou economizar R$ 3 milhões por mês", completou Rodgerson.

Segundo o executivo, a companhia aérea já está observando economia com combustível por causa do emagrecimento dos passageiros. Com menos peso, aviões gastam menos combustível nos voos.

Ele afirma também que "as pessoas estão ficando mais felizes, mais dispostas a viajar".

"E a melhor coisa: eles [os passageiros] comem menos também. Eles se sentem melhor. Eles não têm que comer todas as balinhas que a gente tem."

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O preço do QAV (combustível de aviação) tem sido uma das principais preocupações das companhias aéreas brasileiras desde o início da guerra no Irã. De acordo com os dados mais atualizados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), o combustível deu um salto interanual superior a 40% e passou a custar R$ 5,40 por litro em abril.

O QAV abocanha cerca de 40% dos gastos das companhias aéreas atualmente, e as empresas relatam há anos o impacto negativo causado pelos gastos com o combustível em seus balanços.

Com o cenário negativo, Rodgerson disse à Folha no começo de junho que a Azul cortou até o momento cerca de 5% de sua capacidade. A medida, segundo ele, abrange todos os tipos de voos: internacionais e domésticos, incluindo os regionais e os que operam em grandes aeroportos do país.

"Até agora nós cortamos mais ou menos 5% da nossa capacidade. E, se você pega uma empresa do nosso tamanho, isso vai refletir em milhões de passageiros ao longo de um ano. A gente espera que esta guerra se resolva logo", afirmou o executivo à reportagem.

"[O corte] É internacional, regional e para cidades grandes também. Curitiba-São Paulo não tem o mesmo número de frequências que tinha antes. Tem que cortar geral."

Segundo previsão da Iata (Associação Internacional do Transporte Aéreo), o lucro das companhias aéreas cairá para US$ 23 bilhões (cerca de R$ 119 bilhões) em 2026. A estimativa considera companhias aéreas de todos os continentes.

O número representa metade do lucro estimado em 2025 (US$ 45 bilhões). Anteriormente, a associação previa, em 2026, lucro de US$ 41 bilhões. A previsão considera companhias aéreas de todos os continentes.