O Brasil aplica, em média, 23 multas por hora a motoristas que dirigiram sob influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa ou que se recusaram a fazer o teste do bafômetro. Leia mais (06/19/2026 - 12h01)

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19.jun.2026 às 12h01

O Brasil aplica, em média, 23 multas por hora a motoristas que dirigiram sob influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa ou que se recusaram a fazer o teste do bafômetro.

O dado faz parte de um levantamento feito pela Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito), órgão vinculado ao Ministério dos Transportes, devido aos 18 anos da sanção da Lei Seca —a "maioridade" é comemorada nesta sexta-feira (19).

Dese junho de 2008, quando a legislação entrou em vigor, foram aplicadas mais de 3,7 milhões de infrações. Dessas, cerca de 600 mil não têm informações do perfil dos motoristas.

Do total, 1,26 milhão de multas foi para quem bebeu ou ingeriu substância psicoativa comprovadamente.

As demais 2,45 milhões foram para recusa a teste de bafômetro, exame clínico, perícia ou outro procedimento que sirva como prova.

Assim, ao longo de 6.554 dias foram registradas oito multas por hora para quem acabou flagrado e 15 a quem se recusou a fazer o teste.

A legislação aprovada há 18 anos estabelece tolerância zero para a condução de veículos sob influência de álcool. Prevê multa de R$ 2.934,70, suspensão do direito de dirigir e outras sanções administrativas e criminais previstas no CBT (Código de Trânsito Brasileiro).

A recusa ao teste do bafômetro também é considerada infração gravíssima e está sujeita às mesmas penalidades administrativas.

Além disso, o condutor flagrado com ao menos 0,34 mg/l de álcool por litro de ar expelido comete crime de trânsito. A pena é de seis meses a três anos de detenção, além de perder o direito de dirigir por dois anos. Por isso, muitos motoristas se negam a assoprar o bafômetro, para não produzirem provas contra si mesmo.

O levantamento mostra que cerca de 360 mil motoristas parados em blitze ou abordados no passado por policiais ou agentes de trânsito rejeitaram o bafômetro. O número é o maior desde a implantação da Lei Seca.

A quantidade de motoristas que as autoridades autuaram por terem se negado a fazer o teste em 2025 foi 10% superior aos 332 mil casos de 2024.

Se aumentou a recusa, caiu a quantidade de multas aplicadas a quem se submete ao bafômetro —houve registro, em cada ano, de 85 mil autuações em 2024 e 2025. O recorde é de 2019, com 130 mil motoristas multados.

Dos 5.570 municípios brasileiros, 5.188 tiveram ocorrências de infração da lei seca no ano passado, 41 a mais em 2024 (até 19 de junho).

São Paulo, cidade com mais de 10 milhões de veículos registrados atualmente e onde está a maior frota do país, lidera as atuações, com 257 mil infrações apontadas no relatorio.