A Inteligência Artificial (IA) pode vir a ter mais impacto na classe média, por ter trabalhos com maior risco de serem substituídos, considerou Abhijit Baner...
Inteligência Artificial
O economista, que veio a Portugal para participar na conferência NOVAFRICA da Nova SBE, salientou que a IA "vai ter efeitos sobre a desigualdade", mas ainda é incerto se os pobres serão os mais afetados ou a classe média.
Abhijit Banerjee apontou que existem efeitos sociais positivos da AI que poderão beneficiar as pessoas mais pobres, como por exemplo aqueles que vivem em locais mais remotos e conseguem melhorar os cuidados de saúde através da IA.
Por outro lado, "são as classes médias cujos empregos vão estar em risco", alertou, antecipando que "todos os robôs vão substituir mão-de-obra qualificada".
A IA pode substituir trabalhos tipicamente da classe média, como contabilistas, exemplificou, enquanto outros trabalhos mais físicos, associados a pessoas com rendimentos mais baixos, como a construção, "são mais difíceis de ser substituídos".
Para o economista, a implementação a larga escala desta tecnologia vai ter um forte impacto no mercado laboral e o Estado "vai ter que compensar os trabalhadores que vão perder o trabalho", pelo que defende que se deve "pensar muito seriamente sobre taxar a IA".
Abhijit Banerjee recebeu o prémio Nobel da Economia de 2019, em conjunto com Esther Duflo e Michael Kremer. Os três economistas foram premiados pela "abordagem experimental para aliviar a pobreza global", segundo a Real Academia de Ciências da Suécia.
Os trabalhos conduzidos pelos laureados "introduziram uma nova abordagem para obter respostas fiáveis sobre a melhor maneira de reduzir a pobreza no mundo", adiantou a Academia.
O economista Abhijit Banerjee, Prémio Nobel da Economia de 2019, defendeu a necessidade de taxar os recursos utilizados pela Inteligência Artificial (IA), nomeadamente a água consumida por centros de dados.




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