Aqui entre nós, o mais recente filme de Steven Spielberg, "Dia D", é bem fraquinho: uma simples mistura de teoria conspiratória, contato alienígena e mensagem de Miss Universo para um mundo melhor. Leia mais (06/19/2026 - 18h30)
Escritor, doutor em ciência política pela Universidade Católica Portuguesa
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19.jun.2026 às 18h30
Aqui entre nós, o mais recente filme de Steven Spielberg, "Dia D", é bem fraquinho: uma simples mistura de teoria conspiratória, contato alienígena e mensagem de Miss Universo para um mundo melhor.
Mas, justamente por ser fraco, o filme revela com perfeição os contornos religiosos do fenômeno UFO —os fenômenos anômalos não identificados, na sigla em inglês, também conhecidos como óvnis. Falei em religião? Falei. Talvez estejamos tão carentes de sentido e tão sós que tenhamos trocado as velhas religiões por uma espécie de consolação cósmica.
É isso que me fascina no fenômeno: encontrar, nas ocorrências inexplicadas, os vestígios do sagrado e do profano que nunca nos abandonam inteiramente. Apenas mudam de traje.
Foi isso também que fascinou D. W. Pasulka, professora de estudos religiosos na Universidade da Carolina do Norte, ao escrever "American Cosmic: UFOs, Religion, Technology" (Oxford University Press) —um dos livros mais notáveis sobre a natureza da crença em objetos voadores não identificados.
O livro de Pasulka não pretende afirmar, nem negar, a existência de extraterrestres. O alvo é outro: o que leva alguém a acreditar em homenzinhos verdes passeando pela Terra?
E o que isso revela sobre nós, humanos, quando dedicamos tempo e energia a estudar esses turistas?
Para a autora, a crença em fenômenos de origem desconhecida reproduz, às vezes de forma simétrica, crenças e rituais observáveis na história das religiões.
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Comecemos pelos alegados contatos entre extraterrestres e humanos: nos relatos que Pasulka recolheu, encontram-se as mesmas presenças luminosas, as mesmas sensações de completude, a mesma experiência mística que antigos visionários descreviam depois do encontro com Deus, santos ou anjos. Esses contatos são raros?
Claro que são. Como sempre, muitos são chamados, mas poucos escolhidos.




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