Já faz algum tempo que o respeito pelas camisas do Brasil e da Argentina não é o mesmo. A verde e amarela é vítima de apropriação política pelo bolsonarismo e de piadas do presidente Lula ao se referir a Neymar como um "jogador de home office". E o Brasil é comandado por um treinador italiano. Leia mais (06/19/2026 - 19h40)
A coluna O Último Messi é escrita por Sebastián Fest, jornalista argentino, autor de biografias de Lionel Messi, Rafael Nadal e Roger Federer e correspondente político na América do Sul do jornal espanhol El Mundo
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19.jun.2026 às 19h40
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Já faz algum tempo que o respeito pelas camisas do Brasil e da Argentina não é o mesmo. A verde e amarela é vítima de apropriação política pelo bolsonarismo e de piadas do presidente Lula ao se referir a Neymar como um "jogador de home office". E o Brasil é comandado por um treinador italiano.
Na Argentina, ninguém ousaria fazer isso; a camisa azul e branca pertence a todos (com algumas nuances, como verão), o técnico é argentino e o presidente não zomba de seus jogadores. Outra coisa é uma streamer matar o pai de Lionel Messi; isso, sim, é possível.
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A euforia e a admiração que se seguiram à estreia de Messi e seu hat-trick contra a Argélia foram interrompidas nesta quinta-feira (18) por um incidente surpreendente.
Florencia Peña, uma atriz e comediante que apresenta(va) um programa no canal de streaming Luzu TV, anunciou a morte de Jorge Messi, pai de Lionel, com uma indiferença, leveza e falta de rigor que farão com que o trecho do vídeo se torne, por muitos anos, uma referência de tudo o que não se deve fazer na mídia.
Com um detalhe importante: é preciso ser uma ótima atriz para que acreditem que você faz as coisas tão mal assim. Ou é preciso ser uma pessoa má.
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Essa gigantesca fake news dividiu os argentinos e afetou, desta vez de verdade, a seleção. Pois há quem defenda Peña ("pode acontecer com qualquer um, a culpa é dos produtores") e quem, por trás da falsa morte de Jorge Messi (que, de fato, está doente), veja a mão oculta dos setores mais recalcitrantes do kirchnerismo, do qual Peña é fervorosa simpatizante. Como seria isso? Os setores mais ideologizados e inflexíveis do kirchnerismo, a última vertente do peronismo, acreditam que os jogadores da seleção argentina são uns "desclassificados" e que Messi, particularmente, é um fantoche de Donald Trump.
Há algo de verdade nisso: essa seleção comandada por Lionel Scaloni é provavelmente a menos peronista das últimas décadas.

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