Modalidade cresce no Brasil, atrai jovens investidores e ganha espaço como alternativa ao financiamento em um cenário de juros elevados

Compartilhar matériaO consórcio imobiliário passa por um momento favorável no Brasil. Impulsionada pelos juros altos do crédito tradicional e pelo aumento do interesse em planejamento financeiro, a modalidade registrou crescimento expressivo nos últimos anos.

Segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), as vendas de cotas aumentaram 294% entre 2020 e 2025. Apenas entre janeiro e agosto de 2025, o número de cotas comercializadas saltou de 206,92 mil para 815,06 mil. Já o total de participantes ativos chegou a 2,5 milhões em agosto de 2025, um avanço de 152,9% em seis anos.

O estudo também mostra uma mudança no perfil dos consumidores: 36% dos consorciados têm entre 18 e 30 anos, evidenciando o interesse de uma nova geração por modelos de compra mais planejados e menos dependentes de financiamentos. Segundo a ABAC, o Sudeste lidera o mercado brasileiro de consórcios imobiliários, concentrando cerca de 43% dos participantes e créditos concedidos, impulsionado por capitais como São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

O crescimento consistente do setor indica que o consórcio deixou de ser apenas uma alternativa secundária e passou a integrar o planejamento financeiro de milhões de brasileiros.

É uma modalidade de compra planejada em grupo. Nele, pessoas interessadas em adquirir imóveis, terrenos, salas comerciais ou reformar propriedades contribuem mensalmente para um fundo comum administrado por uma empresa autorizada pelo Banco Central (BC). Com a soma das parcelas pagas pelos participantes, são formadas as chamadas cartas de crédito, entregues mensalmente aos contemplados.

Após ser contemplado, o participante recebe a carta de crédito para comprar o imóvel desejado, mas continua pagando as parcelas normalmente até o encerramento do grupo.

Em um cenário de Selic elevada e crédito mais caro, o consórcio imobiliário passou a chamar atenção por apresentar custos menores em relação ao financiamento. Os benefícios da modalidade

No caso do Consórcio Imobiliário do Inter, os planos podem chegar a até 230 meses, permitindo parcelas mais ajustadas ao orçamento. Outro diferencial é a possibilidade de utilizar o FGTS para oferta de lances, antecipação de parcelas e redução do saldo devedor.

Uma das principais dúvidas dos consumidores é sobre a contemplação, que inclui quatro maneiras:

Especialistas apontam que a estratégia de lances costuma ser utilizada por quem deseja acelerar o acesso ao crédito.

Depende do perfil financeiro e do objetivo do consumidor. Para quem busca planejamento de longo prazo e deseja fugir dos juros altos do financiamento, o consórcio pode ser uma alternativa interessante.

Não. O modelo não cobra juros bancários tradicionais, mas possui taxa de administração e outros custos previstos em contrato.

Sim. O FGTS pode ser utilizado para lances, amortização ou quitação de parcelas, conforme as regras da Caixa Econômica Federal.

É o valor disponibilizado ao consorciado contemplado para aquisição do imóvel.

Na maioria dos casos, sim. O crédito pode ser utilizado para imóveis residenciais, comerciais, terrenos e até reformas, dependendo das regras do contrato.

Depende. O consórcio costuma ter custo menor no longo prazo, enquanto o financiamento oferece acesso imediato ao imóvel.

O sistema é regulamentado e fiscalizado pelo Banco Central.