Guarda Revolucionária iraniana anunciou fechamento de estreito de Ormuz, mas EUA apontaram alta no tráfego de navios na região

Guarda Revolucionária iraniana anunciou fechamento de estreito de Ormuz, mas EUA apontaram alta no tráfego de navios na região

de Brasília 20.jun.2026 (sábado) - 14h35 Siga o Poder360 no Google

O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, será um dos representantes do governo de Donald Trump nas negociações de um acordo de paz com o Irã marcadas para este domingo (21.jun.2026), na Suíça. O encontro, que terá a mediação de diplomatas do Paquistão e do Catar, é feito durante uma nova escalada militar no Oriente Médio e a uma guerra de narrativas sobre o controle das rotas comerciais globais. 

As conversas diplomáticas deste domingo na Suíça têm o objetivo de salvar o acordo provisório entre Estados Unidos e Irã. Inicialmente, a reunião havia sido marcada para 6ª feira (19.jun), mas foi adiada.

 A IRGC (Guarda Revolucionária do Irã) anunciou neste sábado (20.jun.2026) o fechamento do Estreito de Ormuz para todas as embarcações. A medida é uma resposta às violações norte-americanas aos compromissos de cessar-fogo e aos contínuos ataques de Israel contra o Líbano.

A informação, porém, foi refutada pelo governo norte-americano. Em entrevista à rede Fox News, J.D. Vance negou a existência do bloqueio e afirmou não haver evidências de que o Irã tenha interrompido a passagem marítima, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã.

As Forças Armadas dos EUA reforçaram a declaração do vice-presidente. Em nota, os militares afirmaram que o tráfego no estreito não só operou normalmente, como aumentou. Segundo os norte-americanos, 55 navios transportando mais de 17 milhões de barris de petróleo cruzaram o trecho de forma segura neste sábado.

A expectativa da equipe iraniana sobre o encontro é baixa. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Bagahei, declarou que o objetivo da viagem é exclusivamente exigir que os EUA cumpram suas obrigações, o que inclui a suspensão das operações militares no Líbano e o respeito à soberania do país.

O impasse diplomático é agravado pela continuidade das hostilidades, que ameaçam de forma direta o cessar-fogo provisório. Neste sábado, bombardeios israelenses mataram ao menos 16 pessoas, incluindo duas crianças, no sul do Líbano.

A Agência Nacional de Notícias libanesa relatou que 7 pessoas ficaram presas sob escombros em Nabatiyeh. Ofensivas também atingiram vilarejos como Barish, Arab Salim, Doueir, Kfar Rumman, Qannarit, Sohmor e Shehour.

O exército israelense justificou os ataques afirmando ser uma resposta ao disparo de mais de 50 projéteis contra suas tropas durante a madrugada. O grupo militante Hezbollah, financiado pelo Irã, não assumiu a autoria dos disparos.

Na 6ª feira (19.jun.2026), os confrontos diretos já haviam deixado 47 mortos no Líbano e 4 soldados israelenses mortos. Segundo o Ministério da Saúde libanês, o total de vítimas fatais na guerra recente já ultrapassa 4.000.

O embaixador de Israel em Washington, Yechiel Leiter, afirmou que o país está comprometido com uma trégua imediata, desde que o Hezbollah cesse as hostilidades.

O Hezbollah declarou publicamente que respeitará o cessar-fogo caso Israel faça o mesmo. O grupo extremista, porém, condiciona o fim definitivo de seus ataques à retirada total das forças israelenses do território libanês, uma exigência chancelada pelo governo iraniano.