Feira reuniu empresas dos setores espacial, drones, geotecnologias e mobilidade aérea; para Emerson Granemann, investimentos contínuos são essenciais para fortalecer a indústria brasileira
Compartilhar matériaO setor espacial, de drones e de geotecnologias esteve reunido nesta semana, em São Paulo, durante a edição de 2026 da MundoGEO Connect, da SpaceBR Show, da DroneShow Robotics e da Expo eVTOL.
O evento, realizado entre os dias 17 e 19 de junho no Expo Center Norte, reuniu empresas, startups, órgãos públicos, pesquisadores e especialistas para discutir inovações em áreas como satélites, sensoriamento remoto, inteligência geográfica, drones, robótica e mobilidade aérea avançada. A CNN Brasil esteve presente no encontro.
Em meio às discussões sobre o futuro da indústria espacial brasileira, o CEO da MundoGEO, Emerson Granemann, afirmou, em entrevista à CNN Brasil, que o Brasil pode assumir um papel mais relevante no cenário internacional nos próximos cinco anos, desde que mantenha investimentos públicos contínuos no setor.
Segundo Granemann, o país ainda ocupa uma posição de pouca relevância no mercado global e permanece como um grande consumidor de tecnologias desenvolvidas no exterior.
Se os investimentos continuarem, eu não diria competir, mas pode ter um papel mais relevante. Eu diria que daqui a uns cinco anos, é possível. O executivo afirma que um dos principais desafios é garantir previsibilidade para o setor. Segundo ele, historicamente os investimentos públicos foram irregulares, o que dificultou o fortalecimento da indústria brasileira.
"O setor espacial precisa ser tratado como uma política de Estado, e não apenas como uma política de governo. O investimento é alto e o retorno leva tempo. Sem continuidade, as empresas nacionais não conseguem ganhar robustez para competir no mercado internacional", disse.
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Atualmente, de acordo com Granemann, o Brasil ainda não possui autonomia tecnológica em nenhuma área do setor espacial.
"O Brasil hoje é um grande consumidor de tecnologia de outros países. A gente ainda não tem uma autonomia soberana em nenhuma área do setor espacial", afirmou. Segundo ele, o objetivo é que o país desenvolva satélites próprios para reduzir essa dependência e garantir capacidade nacional em áreas consideradas estratégicas.
Para ilustrar a importância da participação do Estado, o CEO citou o exemplo da SpaceX.
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"A SpaceX é o que é hoje porque o governo americano sempre foi o principal investidor da empresa. Se o Brasil quer que sua indústria espacial cresça, precisa manter investimentos governamentais regulares", afirmou.
Mercado de drones lidera expansão Entre os segmentos presentes no evento, Granemann destacou o mercado de drones como o de maior crescimento no país.
Segundo ele, o número de drones utilizados na pulverização agrícola passou de cerca de 5 mil para mais de 40 mil em apenas cinco anos. A expectativa é que esse número ultrapasse 100 mil aeronaves nos próximos três anos.
Além da agricultura, o executivo cita aplicações em inspeções industriais, logística, mapeamento e monitoramento de infraestrutura. Ele também destaca que a recente atualização das regras da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) deve ampliar a produtividade do setor sem comprometer a segurança das operações.
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Outro destaque é o avanço da inteligência artificial aplicada às geotecnologias. Segundo Granemann, a IA vem acelerando a análise de informações geográficas e ampliando o uso desses dados por empresas e governos na tomada de decisões.
Para o CEO, um dos principais objetivos da feira é aproximar a sociedade do setor espacial e mostrar que o segmento vai além da pesquisa científica.
"O evento ajuda a sociedade a entender melhor o potencial e aí ajuda os jovens a serem atraídos para estudar parte da área espacial e os empresários perceberem que é uma oportunidade de negócios", concluiu.


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