Vantagem argentina sobre o Brasil pode cair para 8% em 2026, impulsionada por capacidade brasileira

Compartilhar matériaO Brasil está se aproximando rapidamente da Argentina nas ​exportações de farelo de soja, ameaçando ​a competitividade do principal produto de exportação do país sul-americano, à medida que os preços mais baixos do farelo e as oscilações nos mercados de óleo apertam as margens de lucro dos processadores argentinos, de acordo com um relatório divulgado na sexta-feira.

O Brasil deve exportar mais de ⁠12,3 milhões de toneladas ​métricas de farelo de soja no primeiro semestre de ​2026, contra uma estimativa de 13,3 milhões de toneladas para a ⁠Argentina, segundo o relatório da Bolsa ⁠de Comércio Rosário, o que ressalta como a diferença ​entre ‌os dois maiores exportadores está diminuindo.

O relatório indica que a vantagem ⁠da Argentina sobre o Brasil poderá cair para cerca de 8% até junho, ante 86% em 2021 e 23% no primeiro semestre de 2025, à ‌medida ⁠que o Brasil ‌amplia sua capacidade de esmagamento, enquanto o processamento argentino permanece praticamente estagnado.

O avanço do Brasil tem sido impulsionado pelo crescimento de sua indústria ⁠de biodiesel, o que elevou a ⁠demanda interna por óleo de soja e estimulou uma maior moagem, aumentando a oferta ‌de farelo de soja disponível para exportação, segundo o relatório.

Isso representa um desafio direto para a Argentina, onde o farelo de soja é o principal produto de exportação do país e um fator determinante ‌dos preços internos da soja.

As margens de esmagamento da Argentina estão se tornando cada vez mais dependentes dos preços do óleo de ⁠soja, argumentou o relatório, à medida que os valores mais baixos do farelo de soja corroem uma fonte tradicional de receita dos processadores.

Com ​os preços de exportação do farelo 10% abaixo do pico registrado em ​maio, qualquer queda adicional no preço do óleo de soja poderia reduzir ainda mais o poder de compra dos processadores e limitar o suporte aos preços locais da soja.