Economista avalia programa como bem desenhado, mas alerta para juros altos e falta de investimento em setores-chave da economia

Compartilhar matériaO programa Move Brasil começou a liberar, nesta sexta-feira (19), os créditos destinados a motoristas de aplicativo e taxistas. A iniciativa do governo federal oferece linhas de financiamento com juros abaixo dos praticados pelo mercado, com o objetivo de facilitar a aquisição de veículos por esses profissionais.

Em entrevista à CNN Money, o economista Luccas Saqueto, da Go Associados, avaliou positivamente a medida. Segundo ele, motoristas de aplicativo costumam enfrentar dificuldades para acessar crédito por serem trabalhadores autônomos, sem vínculo formal de emprego e, muitas vezes, sem histórico consolidado junto às instituições financeiras.

“É uma linha de crédito que favorece a categoria e reduz custos”, afirmou.

Saqueto destacou ainda que muitos profissionais dependem do aluguel de veículos, o que compromete parte significativa da renda.

Apesar da avaliação favorável, o economista alertou para os desafios impostos pelo cenário macroeconômico. Ele ressaltou que a taxa básica de juros segue em patamar elevado e que o Banco Central não sinalizou novos cortes no curto prazo.

Além disso, chamou atenção para o alto nível de endividamento das famílias brasileiras. “A perspectiva, infelizmente, não é boa”, disse.

Na avaliação de Saqueto, o diferencial do programa é que ele não estimula diretamente o consumo, mas o acesso a instrumentos de trabalho.

“O governo está estimulando que trabalhadores tenham os veículos necessários para exercer sua atividade, tornando mais competitivo o custo desses ativos”, explicou.

Ainda assim, recomendou que cada motorista analise cuidadosamente sua situação financeira antes de contratar o financiamento.

O economista também apontou preocupações em relação ao impacto fiscal da iniciativa. Segundo ele, medidas de estímulo ao crédito deveriam vir acompanhadas de ações voltadas ao controle dos gastos públicos e ao avanço de reformas estruturais.

“A situação fiscal do Brasil não é boa, e a inflação já está acima do teto da meta”, afirmou.

Ao comentar os entraves ao crescimento da produtividade no país, Saqueto destacou a carência de investimentos em infraestrutura e a falta de segurança jurídica.

Para ele, o Brasil precisa de uma estratégia de longo prazo voltada à melhoria de rodovias, ferrovias e aeroportos, além de ampliar a participação da iniciativa privada por meio de parcerias público-privadas.

“Falta uma visão de longo prazo sobre a importância de investir em infraestrutura e em setores estratégicos para o aumento da produtividade”, concluiu.