Segundo apuração da analista de Política da CNN Isabel Mega, Brasil descarta bilateral estruturada entre Lula e Trump e trata participação na cúpula como agenda mais ampla
Compartilhar matériaO governo federal tem evitado fazer uma correlação direta entre a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na cúpula do G7, na França, e o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil. Segundo apuração da analista de Política da CNN Isabel Mega, ao Live CNN, o Brasil também decidiu não solicitar uma reunião bilateral formal com o governo norte-americano.
A postura oficial é de que a presença brasileira no encontro vai muito além da questão tarifária, ainda que o contexto das negociações comerciais com Washington sirva de pano de fundo para a viagem.
Caso haja alguma interação entre Lula e o presidente americano, Donald Trump, durante o encontro, ela ocorrerá de forma informal, sem o caráter de um encontro estruturado. "Não contamos com isso até o momento da chegada do presidente Lula na França", afirmou Isabel Mega.
O Brasil mantém, no entanto, a expectativa de que ainda seja possível avançar nas negociações em torno da taxação de 25% anunciada duas semanas antes da cúpula, no âmbito da chamada Seção 301 — uma investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos.
O governo brasileiro tem contestado, ponto a ponto, os argumentos levantados na investigação, incluindo temas como o Pix, o desmatamento e a relação econômica bilateral. "O Brasil tem já gastado saliva desde o ano passado, mais de um ano, para explicar aos americanos que vários daqueles pontos são bastante contestáveis", destacou a analista.
A expectativa é de que eventuais recados de Lula sejam dados de forma ampla e não diretamente direcionados a Trump. Críticas a práticas protecionistas e defesa do multilateralismo devem compor o tom da participação brasileira.
"O tarifaço é um belo exemplo de uma prática protecionista", pontuou Isabel Mega, acrescentando que esse tipo de mensagem costuma aparecer nos discursos do presidente quando ele faz falas no exterior.
A demora do Brasil em formalizar a participação na cúpula também gerou atenção. O convite do presidente francês, Emmanuel Macron, chegou em fevereiro, mas a confirmação levou tempo.
O próprio Lula deu uma pista sobre os bastidores ao declarar publicamente que inicialmente não pretendia ir ao G7, mas que havia mudado de ideia — fala que reforçou a associação da viagem com o contexto do tarifaço. "Eu nem ia para o G7, mas agora eu vou", teria dito o presidente, segundo relato da analista.
O Palácio do Planalto, contudo, reforça que a participação brasileira deve ser lida com um olhar mais abrangente. A negociação sobre as tarifas, segundo o governo, seguirá sendo tratada por meio de um grupo de trabalho específico, e não no âmbito da cúpula. Esta será a décima vez que Lula participa do G7 na condição de convidado especial.
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