A Revolução Solidária, corrente de Guilherme Boulos e Erika Hilton no PSOL, enfrenta uma debandada de militantes. Mais de 250 membros, incluindo dirigentes do partido em Pernambuco e na Bahia, comunicaram por meio de um manifesto que decidiram se desligar do grupo. É o equivalente a cerca de um terço de seus delegados no Congresso da legenda. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.

A Revolução Solidária, corrente de Guilherme Boulos e Erika Hilton no PSOL, enfrenta uma debandada de militantes. Mais de 250 membros, incluindo dirigentes do partido em Pernambuco e na Bahia, comunicaram por meio de um manifesto que decidiram se desligar do grupo. É o equivalente a cerca de um terço de seus delegados no Congresso da legenda.

A saída é justificada pelo “acúmulo de inconsistências internas e incoerências estratégicas que, ao longo dos últimos meses, tornaram politicamente inviável nossa permanência”. O documento ressalta que a movimentação não se deve a pessoas ou relações de convivência, mas sim a divergências relacionadas a “orientações políticas, leituras de conjuntura e práticas organizativas”.

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O anúncio ocorre às vésperas do início das convenções partidárias e após a tentativa malsucedida de formar uma federação com o PT, rejeitada pela maioria do PSOL. O próprio Boulos chegou a flertar com a sigla de Lula, mas acabou decidindo não migrar de legenda.

Segundo o manifesto, o grupo dissidente vai se reorganizar sob a bandeira do Coletivo Lutas, onde, de acordo com os signatários, “parte expressiva de nossa trajetória comum foi forjada”.

O texto critica o núcleo dirigente da Revolução Solidária por sustentar, “de forma cada vez mais explícita, que o PSOL teria chegado ao seu limite como instrumento político e que a reorganização da esquerda passa, necessariamente, pela entrada no PT”. O grupo afirma que não compartilha dessa avaliação política e decisão estratégica.

“Entendemos que o PSOL cumpre um papel específico e relevante na esquerda brasileira: o de um partido que compõe o campo democrático-popular na defesa do governo Lula contra a extrema direita, mas que mantém independência para confrontar as alianças com o centrão e as oligarquias regionais que limitam o alcance das políticas populares”.

Além de pontuar que não acreditam que o futuro da esquerda se reduza à disputa interna do PT, os militantes reforçam que o PSOL segue “viável e necessário”, num movimento interpretado por outras alas como um fortalecimento da legenda.

O manifesto também ataca a forma como a proposta de uma federação foi conduzida internamente. Diz que as decisões relevantes foram tomadas em círculos restritos e comunicadas à base de forma escalonada. E acrescenta que uma corrente que se propõe a disputar os rumos da esquerda brasileira “não pode funcionar com métodos que limitam o debate real e transformam instâncias coletivas em espaços de homologação”.

Por fim, o documento aponta uma contradição entre o discurso nacional e a prática regional. E questiona a preocupação com a cláusula de barreira, principal argumento dos que defendiam a federação com o PT, enquanto optou-se por não priorizar a construção de chapas federais competitivas.

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