Alvo de operação, petista diz que continuará como líder do governo no Senado

Alvo de uma operação da Polícia Federal dentro das investigações do Banco Master, o senador Jaques Wagner (PT-BA) negou nesta quinta-feira (18/6) ter recebido qualquer valor relacionado à instituição liquidada ou ter atuado para beneficiá-la.

Ele disse que mantém sua intenção de disputar um novo mandato de senador e continuará como líder no governo federal no Senado. As declarações foram dadas em entrevista ao canal de TV Band.

Segundo Wagner, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) telefonou para manifestar solidariedade e não falou sobre sua saída da posição de liderança.

"O presidente Lula ligou para mim para se solidarizar, dizer que mantém absoluta confiança. A gente se conhece há 48 anos e, portanto, ele sabe o meu jeito de agir"

"Então, ele só ligou para dizer 'fique firme, essa é uma tentativa de desestabilizar você, mas conte com a minha confiança'", reforçou, sobre a conversa com o presidente.

O senador disse ainda respeitar a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que autorizou a operação a partir de pedido da Polícia Federal, mas ironizou o fato de não ter havido ação semelhante contra outros suspeitos de terem recebido valores do Master, sem citar nomes.

"O ministro André Mendonça decidiu dessa forma. Eu não tenho nenhum reparo a fazer à decisão dele. A Polícia Federal entendeu que era para fazer isso. Evidentemente, eu reconheço que tem gente com muito mais milhões recebidos que não tiveram essa busca e pressão. Mas eu não vou reparar. Decisão da Justiça a gente cumpre", disse.

As investigações em torno do Master já atingiram outros políticos. O senador Ciro Nogueira (PP-PI) é suspeito de ter favorecido o Master em troca de propina e já foi alvo de operação da PF.

Já o senador Flávio Bolsonaro negociou o repasse de dezenas de milhões de reais do banco para bancar um filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro (PL), e chegou a se encontrar com o banqueiro Daniel Vorcaro após sua primeira prisão, quando estava solto com monitoramento eletrônico. Ele diz que o valor foi um patrocínio legal e que não beneficiou o Master. Não houve operação contra ele até o momento.

Veja Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil

Fim do Promoção Agregador de pesquisas

Jaques Wagner disse não ter relação com Daniel Vorcaro, dono do Master que está preso. Ele afirmou que teve contato com ele em duas ocasições.

Na primeira, segundo o senador, o empresário baiano Augusto Lima, também alvo da operação contra Wagner, o apresentou a Vorcaro quando ele passou a ser sócio no Credcesta, um cartão de crédito com benefício consignado voltado para servidores públicos, aposentados e pensionistas, criado inicialmente na Bahia.

Ele pertencia ao governo baiano, junto com uma rede de supermercados estatal, e foi vendido a Lima em 2018. Depois, em 2019, o Banco Master passou a ser sócio no Credcesta e participou de sua expansão nacional.

"Eu estou muito à vontade em relação a essa questão porque, quando a gente vendeu, vendeu um absuro que era uma rede de supermercado estatal", disse.

Já na segunda ocasião em que teve contato com Vorcaro, Wagner disse que Lima pediu a ele uma indicação de um consultor jurídico para o Banco Master. O senador, então, indicou o ministro Ricardo Lewandowski, que tinha se aposentado no STF.

"Só [o encontrei] essas duas vezes. Não tenho nenhuma relação com Daniel Vorcaro".

O senador confirmou que os US$ 55 mil e os € 33,5 mil apreendidos pela PF na operação são seus, mas negou qualquer ilegalidade.

Segundo ele, os valores correspondem a diárias recebidas do Senado devido a viagens internacionais realizadas no exercício do seu mandato ou a valores que ele mesmo comprou no Banco do Brasil para viagens internacionais.

Wagner disse que costuma pagar as contas no exterior no cartão de crédito, em vez de gastar os valores em espécie recebidos pelas diárias.