Pausa para hidratação gera primeiros sinais de insatisfação na Copa

Na partida entre França e Senegal, aos 23 minutos do primeiro tempo, o público presente no MetLife Stadium, em Nova Jersey, começou a vaiar. Ninguém estava em campo naquele momento, e o alvo da vaia não era jogador, técnico ou árbitro, mas a Fifa. Enquanto o sistema de som tentava abafar com música e anúncio comercial, o público gritava contra uma das inovações para a Copa do Mundo: a pausa obrigatória de três minutos para hidratação.

Foi a primeira vez que as arquibancadas sinalizaram insatisfação. No segundo tempo, as vaias não se repetiram. Maioria no estádio, a torcida francesa esqueceu o protesto enquanto comemorava a vitória da sua seleção e ignorou o terceiro intervalo do jogo.

Apesar do interesse comercial (o "hydration break" cria duas janelas adicionais para anúncios publicitários em cada partida), a entidade máxima do futebol justificou que a medida é para melhorar o nível do jogo diante das altas temperaturas no Canadá, Estados Unidos e México neste período do ano.

No jogo do Brasil, por exemplo, os termômetros passaram a marca dos 30 graus. O forte calor causou bolhas no atacante Raphinha, que foi poupado dos primeiros treinamentos da seleção brasileira após o empate por 1 a 1, no sábado, com o Marrocos.

O jogo também parou dias depois, no jogo entre Gana e Panamá, no Canadá. O irônico? Chovia, ventava e fazia frio no momento.

Embora a pausa para hidratação seja benéfica ao bem-estar dos jogadores, a obrigatoriedade da medida tem acumulado críticos. Zagueiro da Holanda, Van Dijk pediu uma revisão da ideia.

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"Eu assisti a quase todos os jogos até hoje. Toda vez que o jogo vai para os comerciais é algo que eu não gosto. Para quem é neutro e assiste pela TV também não é legal. Se estiver realmente quente, obviamente que isso é bom, mas acho que você tem de olhar para cada jogo separadamente. Esta é a minha opinião", disse Van Dijk.

Mauricio Pochettino, técnico dos Estados Unidos, apoiou. "Eu não gosto. Acho que só vale quando as condições são extremas. Mas quando as condições estão boas, eu acho desnecessário".

Sébastien Migné, técnico do Haiti, foi mais um a falar sobre o tema. "Eu acho que os jogadores demoram um pouco para voltar ao jogo e eu posso dar um exemplo meu. A gente tomou um gol três ou quatro minutos depois da pausa contra a Escócia", disse. "Mas para o treinador não é exatamente tão ruim, é mais um tempo, algo como o basquete. Preciso encontrar uma solução para que eles se reconectem mais rápido."

Com as duas pausas de três minutos em cada tempo, o jogo deu mais poder aos treinadores, que ganharam mais duas intervenções durante o confronto. Na partida contra o Marrocos, o técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti, fez uso do tempo e deu orientações aos atletas durante as duas paralisações.

Ex-jogador do Chelsea e atualmente no Al-Hilal, da Arábia Saudita, o zagueiro Koulibaly se divide entre prós e contras e tenta se adaptar ao novo formato do Mundial.

"Não tem o que fazer. É a regra do jogo. Acho que a regra ajuda todo mundo. A pausa tem também uma função técnica e ajuda a recuperar o corpo. Eu não tenho problema. É um pouco chato, mas eu não me importo. Eu estou aqui para jogar futebol", disse o senegalês.

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