Robin Hood surgiu como tradição oral no século 12 e se transformou, ao longo dos anos, em um estereótipo heroico e familiar. Mas, no século 21, o cinema e a literatura tentam restaurar o lado oculto do personagem.
Importante: esta reportagem contém uma descrição clara de violência que pode ser perturbadora para alguns leitores.
Quando o diretor e roteirista Michael Sarnoski começou a filmar seu novo longa-metragem, ele mostrou ao elenco e à equipe de produção um desenho animado que ele adorava.
Era o Robin Hood animado da Disney, de 1973, que mostra o herói como uma raposa com uma pena no seu chapéu verde, roubando dos ricos para dar aos pobres.
Esta versão tão popular não poderia estar mais longe do profundo e sombrio drama de Sarnoski, A Morte de Robin Hood.
Hugh Jackman interpreta um Robin grisalho, desgastado pelas batalhas e pensativo no final da vida, profundamente consciente da sua própria lenda.
Ele encontra uma mulher que fala sobre o virtuoso justiceiro Robin Hood, mas ele nega sua identidade e se refere a si próprio em terceira pessoa.
"Ele não era um herói. Ele roubava e matava para se divertir, nada mais que isso."
Na verdade, este Robin Hood violento e outras visões revisionistas contra a heroica imagem de benfeitor do personagem estão mais próximas das lendas medievais originais do que o estereótipo familiar que imaginamos hoje em dia.
A imagem de Robin Hood se transformou ao longo dos séculos. Cada mudança refletia a era que o reinterpretava.
As variações mais sombrias do século 21 remontam às origens da história. Mas, como destacam alguns dos seus criadores, também refletem o presente.
As visões complexas do personagem desafiam um mundo polarizado, onde os heróis e vilões costumam ser exclusivamente bons ou maus, de forma tão simplificada quanto a lenda de Robin Hood se tornou ao longo dos séculos.
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Especula-se muito se realmente existiu um Robin Hood na vida real, mas a maioria dos historiadores concorda que não tenha havido um indivíduo vivo por trás do personagem.
O que existia era uma sociedade com imensas desigualdades, com ricos donos de terras e camponeses empobrecidos, que inspirou sua criação.
As histórias surgiram como tradição oral no século 12, mas os primeiros relatos escritos só chegaram dois séculos mais tarde, em baladas que o mostravam como um personagem famoso, mesmo tanto tempo depois.
Nestes primeiros relatos escritos, não se tratava do nobre Sir Robin de Locksley, como mostram as versões posteriores. Ele não era nobre, mas sim um pequeno proprietário rural, que estava apenas um degrau acima dos camponeses.
Lady Marian só entraria na história no século 16. E Robin podia ser bom para os pobres, mas seu objetivo principal não era ajudá-los.
Seus inimigos eram o clero corrupto e os nobres proprietários de terras, que se aproveitavam dos seus subordinados.
Em um posfácio do seu romance revisionista The Traitor of Sherwood Forest ("O traidor da Floresta de Sherwood", em tradução livre), de 2025, a historiadora medieval Amy S. Kaufman descreve o Robin Hood das primeiras lendas como "um vigarista medieval moralmente questionável" — "malandro, violento e irreverente".




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