Especialista explica como frio, baixa hidratação e imunidade podem favorecer desconfortos ginecológicos

Com a chegada das temperaturas mais baixas, muitas mulheres passam a dedicar mais atenção aos cuidados com gripes, resfriados e à proteção contra o frio.

No entanto, existe outra área da saúde que também pode ser impactada durante o inverno e que frequentemente acaba sendo esquecida: a saúde íntima.

Mudanças de hábitos típicas da estação, como o uso de roupas mais fechadas, tecidos menos respiráveis, redução da ingestão de água e maior permanência em ambientes fechados, podem favorecer o surgimento ou agravamento de alguns desconfortos ginecológicos.

Entre os quadros mais comuns estão candidíase, infecção urinária, ressecamento vaginal e irritações íntimas.

Segundo a ginecologista Déborah Coelho, diversos fatores associados ao inverno podem interferir diretamente no equilíbrio da região vaginal e urinária.

“No frio, muitas mulheres passam a usar roupas mais justas, permanecem mais tempo com tecidos abafados, reduzem a hidratação e acabam negligenciando alguns hábitos de cuidado íntimo. Tudo isso pode interferir no equilíbrio da região vaginal e urinária”, explica.

Entre as alterações mais frequentes está a candidíase.

A infecção é causada pelo crescimento excessivo de fungos naturalmente presentes no organismo e costuma provocar sintomas como coceira intensa, vermelhidão, ardência e corrimento esbranquiçado.

“O inverno pode favorecer situações que alteram o equilíbrio local, como roupas muito apertadas, tecidos sintéticos, suor acumulado e mudanças de imunidade. Mulheres com episódios recorrentes devem investigar fatores predisponentes”, afirma a médica.

Ela alerta ainda que a automedicação pode dificultar o diagnóstico correto, já que diferentes condições ginecológicas podem apresentar sintomas semelhantes.

Outro problema comum nessa época do ano é a infecção urinária.

Segundo a especialista, muitas pessoas passam a ingerir menos líquidos nos dias frios sem perceber.

“Beber menos líquidos reduz a frequência urinária, o que favorece a permanência de bactérias no trato urinário. Ardência para urinar, urgência urinária e dor pélvica precisam de avaliação médica”, destaca.

Além da hidratação inadequada, o hábito de segurar a urina por longos períodos também pode aumentar o risco de infecções.

O ressecamento vaginal é outro desconforto que pode se intensificar durante o inverno.

Embora seja mais frequente em mulheres na menopausa e no climatério, pode ocorrer em diferentes fases da vida.

“Algumas pacientes relatam piora do desconforto íntimo no inverno, incluindo sensação de ardência, irritação ou dor durante relações sexuais. Isso pode estar relacionado tanto à queda hormonal quanto a fatores ambientais e hábitos da estação”, explica Déborah Coelho.

Segundo a ginecologista, a avaliação médica é fundamental para diferenciar alterações hormonais, infecciosas ou até dermatológicas.

A especialista ressalta ainda que a imunidade desempenha papel importante na saúde íntima.

Sono inadequado, alimentação desequilibrada, estresse e até infecções respiratórias mais frequentes durante o inverno podem contribuir para o surgimento ou recorrência de sintomas.