O presidente Lula tem muita dificuldade de governar sem que o gasto público primário real cresça 6% todo ano. Leia mais (06/20/2026 - 10h00)

Pesquisador do BTG Pactual e do FGV IBRE e doutor em economia

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20.jun.2026 às 10h00

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O presidente Lula tem muita dificuldade de governar sem que o gasto público primário real cresça 6% todo ano.

Entendo o sentido de urgência e o desejo do presidente de acionar o Estado brasileiro para atender às demandas sociais, principalmente dos mais pobres. Para tal, é necessário que o salário mínimo cresça em termos reais e que os pisos constitucionais em saúde e educação cresçam também.

O resultado é que o gasto público acaba por crescer mais rapidamente do que a economia, o que se trata de uma situação sem sustentabilidade. Quando a política econômica é insustentável, mais cedo ou mais tarde ocorre uma correção.

O gráfico acima apresenta a evolução do gasto público real acumulado em 12 meses para os diversos governos, desde Lula 1. A frequência de tempo é mensal, e a data zero marca o início de cada governo. Os gastos de todos os governos foram normalizados. Para a primeira observação de cada governo, data zero, leem-se 100, e se representa o gasto acumulado nos 12 meses do mandato anterior. É o ponto de partida de cada governo.

O quadro foi preparado por Fábio Serrano, analista de política fiscal do BTG —em ano eleitoral, analista de política fiscal na Faria Lima trabalha dobrado—, a partir de um gráfico que estava no relatório do respeitado economista-chefe da Tullett Prebon, Fernando Montero. A ambos fica meu agradecimento.

Sob Lula, o gasto sempre cresce mais rapidamente do que com qualquer outro governo. A exceção foi somente no início do primeiro mandato do petista, quando o ministro era Antonio Palocci.

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No gráfico, fica claro que Dilma 1 acompanhou o padrão de Lula até nossa grande recessão, o que obrigou à redução da taxa de crescimento do gasto. Do fim de Lula 1 até o final de Dilma 1, o ciclo de commodities segurou uma política econômica insustentável por mais tempo. Quando a maré da economia mundial virou, a insustentabilidade da política econômica foi explicitada.

Se fosse possível acompanhar a evolução do crédito e da política parafiscal em geral, os números seriam ainda mais eloquentes. Se Lula for reeleito, hoje o cenário eleitoral mais provável, terá de aprender a governar sem que o gasto cresça 6% ao ano.

Difícil imaginar que essa velocidade de crescimento do gasto público não afete a pressão sobre a base material da economia, e, consequentemente, a inflação e a taxa de juros no Brasil.

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