Novo veículo de comunicação combina reportagens investigativas com produto que leitores podem degustar

Novo veículo de comunicação combina reportagens investigativas com produto que leitores podem degustar

A cena do leitor sentado à mesa da cozinha saboreando uma xícara de café quente enquanto folheia tranquilamente o impresso é um clichê muito apreciado no mundo dos jornais. Para a maioria das pessoas, a experiência de consumo de notícias já não se assemelha a isso há muito tempo. Porém, uma nova publicação pretende atualizar essa dinâmica de unir informação e café na era moderna.

O fundador, Scott Stedman, afirmou que bebe duas xícaras de café por dia e disse que queria produzir jornalismo investigativo de fôlego, ao mesmo tempo que oferecia aos leitores um produto palpável. Ele declarou detestar paywalls e buscava uma forma criativa de aliar o estilo de jornalismo praticado há 30 anos nos jornais de domingo –investigativo, intencional e crítico, bastante proeminente na época– com o impulso de cafeína trazido pela bebida.

O jornalista apura e escreve suas próprias matérias, além de trabalhar com um editor freelancer e um editor de vídeo para conteúdos multimídia. A 1ª reportagem do The Newsground falou sobre um colaborador de Jeffrey Epstein que havia trabalhado anteriormente para o governo russo. Textos mais recentes incluem investigações sobre promotores imobiliários da Trump Tower que operam empresas de jogos de azar on-line na Geórgia, uma modelo russa que recrutava jovens mulheres para Epstein e o uso de software espião pelo governo de El Salvador.

O The Newsground não é o 1º veículo independente de Stedman. Em 2019, ele fundou o Forensic News, publicação dedicada à segurança nacional e espionagem. O site foi encerrado em 2023, depois de um acordo em um processo por difamação. A ação dizia respeito a uma série de reportagens sobre um consultor de segurança britânico-israelense. O processo foi aberto no Reino Unido, embora o Forensic News tivesse sede nos EUA. Várias organizações internacionais, incluindo a Reporters Without Borders (Repórteres Sem Fronteiras) e a PEN International, criticaram a ação, classificando-a como um processo SLAPP (destinado a sufocar coberturas críticas).

Para criar o The Newsground, Stedman, que vive em Los Angeles, inspirou-se no Midcoast Villager, de Camden, no Maine. O modelo de negócio inclui uma cafeteria chamada Villager Café. Ele trabalha em parceria com uma torrefação de Chicago para o fornecimento dos grãos. Um pacote de 10 onças (cerca de 283 gramas) de café do Newsground custa US$ 25 –dos quais US$ 13 cobrem os custos de torrefação e processamento, enquanto os US$ 12 restantes são revertidos para o financiamento do jornalismo. Até o momento, o veículo conta com cerca de 48 assinantes pagantes do café e recebeu US$ 1.500 em doações pontuais.

O fundador afirma que mostrar o custo real e ser transparente sobre a margem de lucro de cada venda diminui o impacto do preço para o consumidor. Segundo Stedman, ao comprar o café, o leitor apoia uma boa causa e ajuda a financiar reportagens de grande impacto.

Stedman espera reforçar a confiança dos leitores organizando eventos presenciais para servir o café, discutir as reportagens e demonstrar como a venda do produto sustenta o trabalho jornalístico.

O jornalista afirmou ainda que, no mercado de mídia digital, a comunidade representa tudo. De acordo com o fundador, sua hipótese inicial tem se confirmado: o café funciona como um excelente ponto de partida para conversas e uma forma eficaz de criar laços em um ambiente on-line cada vez mais fragmentado.

Texto traduzido por Rúbia Bragança. Leia o original em inglês.