Um vírus sem vacina, um território marcado pela atuação de grupos armados e uma população desconfiada: o Ebola voltou a surgir em meados de maio na região de fronteira entre a República Democrática do Congo (RDC), Uganda e Sudão do Sul. Desde então, as autoridades de saúde travam uma corrida contra o tempo para conter a epidemia. Epidemia de Ebola: República Democrática do Congo tem mais de 900 casos suspeitos de ebola, afirma OMS Contexto: Epidemia de Ebola na Repú
Um vírus sem vacina, um território marcado pela atuação de grupos armados e uma população desconfiada: o Ebola voltou a surgir em meados de maio na região de fronteira entre a República Democrática do Congo (RDC), Uganda e Sudão do Sul. Desde então, as autoridades de saúde travam uma corrida contra o tempo para conter a epidemia.
Epidemia de Ebola: República Democrática do Congo tem mais de 900 casos suspeitos de ebola, afirma OMSContexto: Epidemia de Ebola na República Democrática do Congo pode durar um ano e ainda não atingiu seu pico, diz Cruz Vermelha
Em 15 de maio, a República Democrática do Congo declarou a 17ª epidemia de Ebola de sua história. No dia anterior, exames realizados em um laboratório da capital, Kinshasa, haviam confirmado a presença do vírus.
O epicentro da crise está localizado em Ituri, uma província instável do nordeste congolês, caracterizada pela intensa circulação de pessoas ligada à atividade mineradora. Naquele momento, já haviam sido registrados 246 casos suspeitos, incluindo 80 mortes.
'Milagre do futebol': vídeo de torcedores da Colômbia em cadeira de rodas se levantam para comemorar gol; cena repercute nas redes; veja Ebola na RD Congo tem taxa de mortalidade de 23% em quase um mês após início da epidemia Continuar Lendo Na mesma noite, a vizinha Uganda anunciou uma morte causada pelo vírus em seu território. A vítima era um congolês que estava de passagem pela capital, Kampala. O governo ugandês enfatizou que se tratava de um caso “importado”. O país, que atualmente contabiliza 19 casos confirmados e duas mortes, fechou sua fronteira com a RDC.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública de interesse internacional e alertou para a “amplitude e rapidez” da epidemia, que provavelmente durará meses. Já o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), agência sanitária da União Africana, estima que dez países africanos da região estejam ameaçados.
— No início, pensávamos que se tratava de uma epidemia fora do comum — afirmou à AFP o virologista congolês Jean-Jacques Muyembe, um dos descobridores do vírus Ebola.
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O Ebola, que provoca febre hemorrágica e é transmitido pelo contato com fluidos corporais, matou mais de 15 mil pessoas na África nos últimos 50 anos. A epidemia mais letal registrada na RDC ocorreu entre 2018 e 2020, causando cerca de 2.300 mortes entre 3.500 casos identificados.
'Bundibugyo'
Durante uma entrevista coletiva, o ministro da Saúde da RDC, Samuel Roger Kamba, alertou:
— Bundibugyo não tem vacina nem tratamento específico.
As vacinas atualmente disponíveis são eficazes apenas contra a cepa Zaire do vírus, responsável pelas maiores epidemias de Ebola no passado. Por isso, a resposta sanitária depende principalmente do isolamento dos pacientes e do rastreamento de pessoas que tiveram contato com eles.
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O anúncio gerou preocupação além das fronteiras africanas. Os Estados Unidos passaram a restringir a concessão de vistos para estrangeiros que viajaram por áreas consideradas de risco.
Em uma mensagem publicada na rede X, o presidente congolês, Félix Tshisekedi, pediu “calma” à população e garantiu ter determinado a adoção de “todas as medidas necessárias para reforçar a resposta sanitária”.
Uma semana após a declaração da epidemia, o número de mortes provavelmente causadas pelo vírus havia chegado a 204, entre 867 casos suspeitos.
As autoridades congolesas suspenderam temporariamente os voos de e para Bunia, capital de Ituri. O aeroporto da cidade, no entanto, é fundamental para o transporte de equipamentos e profissionais humanitários até a área afetada.
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O diretor do Africa CDC, Jean Kaseya, prometeu uma vacina contra a cepa Bundibugyo até o fim do ano. Estudos clínicos estão sendo avaliados.
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