As ações preferenciais da Petrobras fecharam em R$ 38,80 nesta sexta-feira (19), acumulando queda de 5,93% na semana que foi marcada pelo anúncio de um acordo entre Estados Unidos e Irã no contexto da guerra no Oriente Médio. Leia mais (06/20/2026 - 05h35)
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As ações preferenciais da Petrobras fecharam em R$ 38,80 nesta sexta-feira (19), acumulando queda de 5,93% na semana que foi marcada pelo anúncio de um acordo entre Estados Unidos e Irã no contexto da guerra no Oriente Médio.
A desvalorização acentuada dos papéis da petroleira seguiu o tombo do barril de petróleo no exterior. O Brent, referência internacional, caiu 8% na semana e ficou cotado a US$ 80–ainda abaixo do patamar pré-guerra, em torno de US$ 70, mas bem abaixo do pico atingido em abril, de US$ 118.
A correlação entre os papéis da petroleira e o movimento da commodity é natural, reforçam analistas ouvidos pela Folha. E, justamente por esse motivo, os dias à frente ainda devem guardar volatilidade para quem tem Petrobras na carteira.
"Apesar da baixa recente do petróleo, relacionada à expectativa do livre tráfego pelo estreito de Hormuz, ainda é muito cedo para falar em mudança de cenário. O risco continua alto", diz Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil.
O memorando de entendimento entre Teerã e Washington foi assinado digitalmente no começo desta semana. Entre os pontos acordados, o texto delimita a completa liberação do estreito.
Canal que separa o Irã da Península Arábica, a passagem é um dos pontos mais estratégicos do comércio global. Seu bloqueio desencadeou uma crise de abastecimento de petróleo que se espalhou pelos mercados de combustíveis, alimentos, fertilizantes e frete marítimo, trazendo impacto para a inflação e preços de combustíveis.
Por isso, a perspectiva de reabertura do estreito instalou euforia nos mercados globais. Nos dias seguintes ao anúncio de trégua, os índices S&P500, Nasdaq Composite e Dow Jones chegaram a subir mais de 1,5% cada, ainda que, no Brasil, o Ibovespa tenha sido pressionado pela queda das ações da Petrobras.
Esse otimismo, porém, começou a se dissipar ao longo da semana, à medida que os investidores começaram a ver o cessar-fogo dando sinais de fragilidade.
Um dos pontos acertados no memorando versa sobre o "fim imediato e definitivo das operações militares em todas as frentes, inclusive no Líbano", a valer imediatamente após a assinatura. Os ataques entre Israel e o grupo extremista Hezbollah, porém, persistem.
O Irã, além disso, anunciou na quinta-feira que, ao fim dos 60 dias do memorando, pretende controlar a navegação pelo Estreito de Hormuz em parceria com Omã, em desafio a uma das demandas mais firmes dos Estados Unidos para encerrar a guerra.
As tratativas dos EUA com os negociadores iranianos sobre um pacto duradouro, na Suíça, também foram adiadas indefinidamente nesta sexta, depois que o vice-presidente norte-americano JD Vance cancelou seus planos de viagem.
"O cenário segue muito incerto. Caso vejamos as conversas caminhando para um alinhamento maior entre as partes, devemos observar a manutenção de preços mais baixos de petróleo, o que, em tese, pressiona as ações das petroleiras brasileiras", diz Bruno Cordeiro, especialista em inteligência de mercado da Stonex.
"Agora, caso vejamos uma maior divergência entre os pontos citados, principalmente em relação ao programa nuclear iraniano, à política de pedágios em Hormuz e à situação do conflito entre Israel e Hezbollah, poderemos ver um eventual aumento dos preços do petróleo como reflexo de um crescimento dos riscos geopolíticos. Consequentemente, essas empresas podem se beneficiar pela expectativa de crescimento das receitas."
Mas, mesmo que o conflito se encerre e o fluxo da commodity seja normalizado, a expectativa de bancos e corretoras é unânime: o preço do petróleo dificilmente voltará aos patamares pré-guerra tão cedo. O Commerzbank, por exemplo, prevê o barril do Brent em torno de US$ 80 até o final do ano, enquanto o Citi, em seu cenário-base, vê a volta aos patamares de US$ 65 apenas no ano que vem.


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