Ao WW, Paulo Filho avalia que é difícil imaginar Israel e Hezbollah cumprindo o acordo; negociações entre EUA e Irã entram em nova rodada de 60 dias

Compartilhar matériaA primeira rodada de negociações de 60 dias entre os Estados Unidos e o Irã trouxe à tona um cenário de incertezas no Oriente Médio. Ao WW, o especialista em Ciências Militares Paulo Filho avalia que o cumprimento do acordo de cessar-fogo no Líbano enfrenta obstáculos significativos, especialmente diante da postura de Israel e do Hezbollah.

Paulo Filho destacou que tanto o Hezbollah quanto Israel não são signatários do memorando de entendimento assinado entre os Estados Unidos e o Irã.

"É muito difícil imaginar que o Hezbollah e Israel farão o papel que se espera deles, sendo que eles não são partícipes do acordo, do memorando de entendimento assinado", afirmou o especialista.

Segundo ele, caberá aos Estados Unidos tentar influenciar Israel, mas o primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, estaria fortemente pressionado por questões políticas internas e obrigado a reagir a qualquer ataque do Hezbollah ao norte do país.

Outro ponto levantado por Paulo Filho diz respeito à disposição do Irã em conter o Hezbollah.

"É muito duvidoso se o Irã vai conseguir, ou mesmo se o Irã deseja realmente que o Hezbollah interrompa os seus ataques a Israel", declarou.

Para o especialista, o fato de partes diretamente envolvidas na solução do conflito não terem assinado o memorando representa um fator complicador de grande relevância.

O memorando de entendimento prevê que o cessar-fogo deve abranger todas as frentes, inclusive o Líbano.

Paulo Filho observou que o documento chegou a uma situação semelhante à que existia em 28 de fevereiro, tornando difícil justificar para a opinião pública internacional e norte-americana que a guerra alcançou algum objetivo político para os Estados Unidos.

"É uma situação que eu acho que ainda vai ser bastante complexa nesses próximos 60 dias", concluiu o especialista.