Presidente do Senado enfatiza presunção de inocência ao comentar operação que atingiu senador petista; Flávio Bolsonaro ataca o partido: 'PT da Bahia acaba de ser implodido pela Polícia Federal'

A operação da Polícia Federal que atingiu o senador Jaques Wagner (PT-BA) nesta quinta-feira (18/6), dentro das investigações do escândalo do Banco Master, provocou reações de apoio e ataque ao líder do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), manifestou solidariedade ao senador petista, que negou as acusações nesta tarde.

"Meu apoio, a minha solidariedade integral a um colega senador da República, e eu tenho a convicção de que, no decorrer do processo, as verdades do senador Jaques Wagner virão à tona e elas serão comprovadas e um dia elas serão julgadas. E é lá, nesse dia, que a pessoa pode ser condenada ou inocentada", disse, em declaração a jornalistas.

Alcolumbre reclamou ainda do fato de políticos serem tomados como culpados assim que são alvos de operações e fez referência a parlamentares de diferentes partidos terem sido atingidos, sem citar nomes.

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) também é suspeito de ter favorecido o Master em troca de propina, enquanto o senador Flávio Bolsonaro negociou o repasse de dezenas de milhões de reais do banco para bancar um filme sobre seu pai Jair Bolsonaro (PL) e chegou a se encontrar com o banqueiro Daniel Vorcaro após sua primeira prisão, quando estava solto com monitoramento eletrônico.

Tanto Nogueira quanto Flávio negaram repetidas vezes qualquer envolvimento em irregularidades.

"Eu vou falar para vocês, na condição de presidente do Congresso Nacional: é muito triste, todo mundo é culpado e condenado antes de ser julgado", criticou Alcolumbre.

"Todos desse país podem ser investigados. Todos podem ter, por parte do Judiciário, algum questionamento. E isso é normal no Estado Democrático de Direito. Mas todos também têm que ter a presunção da inocência, seja ele senador ou deputado federal do PT, ou seja eleito senador ou deputado federal do PL", disse.

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Ele criticou ainda o fato de políticos do PT comemorarem quando políticos do PL são alvo de operações e vice-versa.

"Mas tá muito difícil, porque a polarização no Brasil está nos trazendo esse dilema. Porque não é mais o amor que vai prevalecer, é o ódio", continuou.

Logo após o anúncio da operação contra Wagner, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato ao Palácio do Planalto, atacou o PT.

"O PT da Bahia acaba de ser implodido pela Polícia Federal com operação contra o líder do governo do PT no Senado Federal, Jaques Wagner. Como nós sempre dizemos, o cerne de todo esse problema [do Banco Master] era o PT da Bahia e agora começa a vir à tona", disse Flávio.

A fala de Flávio ocorreu em um evento de sua pré-campanha que anunciou medidas para a segurança pública, se eleito for. O anúncio foi feito ao lado do senador Sérgio Moro (PL-PR), pré-candidato ao governo do Paraná, e do deputado Guilherme Derrite (PP-SP), pré-candidato ao Senado por São Paulo.

"Então, [hoje é] um péssimo dia para o Comando Vermelho, para o PCC [Primeiro Comando da Capital] e também para o PT", continuou.

Já o presidente nacional do PT, Edinho Silva, emitiu uma nota na qual afirma que Wagner é "depositário de toda a nossa confiança".

"Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade, os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados", diz o presidente do PT.

"Nesse processo de investigação e apuração, temos confiança de que Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência".

A BBC News Brasil entrou em contato com a defesa do banqueiro Augusto Ferreira Lima, também alvo da apuração, mas ainda não obteve retorno.