Cerca de cem guerrilheiros entregaram suas armas nesta quinta-feira (18) em uma região de floresta no sul da Colômbia, no âmbito de uma negociação com o presidente de esquerda Gustavo Petro, que faz seus últimos esforços para salvar sua questionada política de paz. Leia mais (06/19/2026 - 11h15)
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19.jun.2026 às 11h15 Atualizado: 19.jun.2026 às 11h17
Valle del Guamuez (Colômbia) | AFP
Cerca de cem guerrilheiros entregaram suas armas nesta quinta-feira (18) em uma região de floresta no sul da Colômbia, no âmbito de uma negociação com o presidente de esquerda Gustavo Petro, que faz seus últimos esforços para salvar sua questionada política de paz.
A três dias do segundo turno que definirá o próximo presidente, a entrega das armas é o primeiro passo para que os rebeldes possam se instalar em uma zona especial onde esperam consolidar negociações com o governo.
O ato também representa o maior avanço da política de "paz total" de Petro, o primeiro governante de esquerda da Colômbia, que tentou sem sucesso negociar com todos os grupos armados do país.
Vestidos com uniformes camuflados, 99 rebeldes da Coordenadora Nacional Exército Bolivariano (CNEB) deixaram seus fuzis em um grande contêiner com a inscrição "Aposta na vida, cumpro a paz", em meio à floresta no departamento de Putumayo, no sul do país.
"Estou muito feliz, mal consigo conter a alegria de saber que não vamos mais ficar longe da família", disse um rebelde sob condição de anonimato.
No domingo (21), os colombianos elegerão o presidente entre o senador Iván Cepeda, aliado de Petro que promete dar continuidade à iniciativa de paz, e o ultradireitista Abelardo de la Espriella, defensor do fim de qualquer tipo de aproximação com as organizações ilegais.
Petro entregará o poder em 7 de agosto.
Entre os dissidentes do acordo de 2016 que desarmou as Farc, este é o único grupo guerrilheiro que avança sem contratempos nas negociações de paz com Petro.
O governo estima que a CNEB tenha entre 2.000 e 2.500 integrantes.
Embora a CNEB domine territórios estratégicos para a produção de drogas na fronteira com o Equador, ela é pequena quando comparada ao Exército de Libertação Nacional (ELN) ou a outras dissidências das Farc, como a liderada por Iván Mordisco, o rebelde mais procurado do país.
É "uma mensagem muito forte e muito poderosa para a sociedade colombiana nesta época em que há muito barulho de guerra", afirmou Armando Novoa, chefe da delegação de paz do governo junto à CNEB.
Os rebeldes permanecerão durante dez meses nesse terreno, onde anteriormente havia plantações de coca, aguardando avanços sobre seu desarmamento definitivo e sua situação jurídica.
A entrega de armas é incomum nesse tipo de negociação na Colômbia, país marcado por seis décadas de conflito armado. As Farc fizeram isso apenas um ano após a assinatura do acordo de paz.
Em Putumayo, os guerrilheiros receberam kits de higiene e livros antes de ingressarem na zona onde permanecerão em casas equipadas com painéis solares, sob a proteção da unidade estatal de escoltas.

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