Governo Lula ampliou parceria com Pequim com testes de transações diretas entre real e yuan chinês
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20.jun.2026 às 14h00
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Victoria Damasceno Paulo Passos
A iminência de uma eleição no Brasil tendo um dos favoritos com sobrenome Bolsonaro virou um ponto de atenção em Pequim. A China calcula os riscos do que seria um governo Flávio, que já deu demonstrações públicas de alinhamento com o governo Trump e pode pôr freio às iniciativas de desdolarização no comércio entre os dois países.
Desde 2009, os chineses são os maiores compradores de produtos nacionais, com domínio de commodities como soja, petróleo e minério. Em 2025, o Brasil foi o país que mais recebeu investimentos do gigante asiático.
Comércio e investimentos não seriam diretamente abalados com um Bolsonaro no poder, avaliam executivos de empresas chinesas, associações e diplomatas ouvidos pela Folha em São Paulo e em Pequim. Eles definem a relação de companhias privadas brasileiras com a China como sólida e consolidada.
O que preocupa os chineses é a repetição de ruídos registrados na gestão Jair Bolsonaro e um recuo em iniciativas institucionais e de agendas dos governos dos dois países. Um dos pontos críticos é a integração financeira. No governo Lula, os dois países criaram uma câmara de compensação de moedas. Isso possibilitou o fechamento de negócios e a concessão de empréstimos sem o uso do dólar. O real e o yuan chinês passaram a poder ser convertidos diretamente nas transações entre empresas chinesas e brasileiras.
"Toda noite me pergunto por que todos os países estão obrigados a fazer o seu comércio lastreado no dólar. Por que não podemos usar as nossas moedas?", disse Lula após o anúncio, em abril de 2023, em Pequim.
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Seis meses depois, em outubro, a Eldorado Celulose realizou a primeira transação financiada e liquidada em yuan chinês e convertida diretamente para real. Suzano e Vale fizeram operações semelhantes. As iniciativas são vistas como teste pelas empresas, que ainda mantêm a maior parte das transações dolarizadas.
Outro passo na integração será o governo brasileiro tomar empréstimos no mercado chinês, em moeda local, o que deve ser anunciado no final de junho. Será a primeira vez que o Tesouro Nacional emitirá os chamados "panda bonds".
O incentivo dos países do Brics para a redução da dependência do dólar irritou Donald Trump. Em 2025, o presidente dos Estados Unidos ameaçou parceiros da China com tarifas se deixassem de usar a moeda americana em transações internacionais.
A medida impulsionada por Pequim de internacionalização da sua moeda blinda o país de potenciais sanções dos EUA. Ao mesmo tempo, diminui o custo para as empresas, com redução no que é gasto com taxas e volatilidade do câmbio.
A visita de Flávio à Casa Branca, em maio, fortaleceu a impressão de que o bolsonarista faria uma gestão completamente alinhada aos EUA.
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"O presidente Lula erra ao fechar a porta para os Estados Unidos e simplesmente abrir o Brasil como se fosse uma colônia chinesa", afirmou Flávio ao jornal Financial Times, em abril.




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