O pacote de reformas econômicas aprovado pelo Parlamento de Cuba na quinta-feira (18), o maior desde a Revolução de 1959, deve beneficiar a combalida economia cubana, mas efeitos mais profundos, como a atração de investimentos estrangeiros, serão sentidos de forma lenta e gradual. Leia mais (06/19/2026 - 23h00)
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19.jun.2026 às 23h00
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O pacote de reformas econômicas aprovado pelo Parlamento de Cuba na quinta-feira (18), o maior desde a Revolução de 1959, deve beneficiar a combalida economia cubana, mas efeitos mais profundos, como a atração de investimentos estrangeiros, serão sentidos de forma lenta e gradual.
A avaliação é de especialistas em economia e relações internacionais, que apontam ainda que a velocidade das mudanças dependerá de como os Estados Unidos, responsáveis pelo bloqueio à economia de Cuba, reagirão às reformas.
Com o apoio do Partido Comunista, os parlamentares aprovaram por unanimidade, em uma reunião extraordinária, um amplo programa de reformas em favor do livre mercado, uma mudança inédita para a ilha comunista mergulhada em uma profunda crise econômica.
Entre as reformas destacam-se a transformação das empresas estatais em sociedades comerciais "por ações ou de participação", a autorização para empresas privadas com mais de 100 empregados, a participação de capital estrangeiro no setor privado e a abertura de contas em moeda estrangeira para pessoas físicas.
A agricultura, o turismo, o setor bancário e o mercado cambial ficarão abertos ao investimento privado, tanto nacional quanto estrangeiro. Os cubanos também poderão possuir mais de uma empresa privada e participações em outras sociedades. Além disso, será permitida a negociação salarial dentro das empresas.
"Trata-se do programa de reforma econômica mais profundo já anunciado nos últimos 70 anos da história econômica do país, desde a vitória da Revolução de 1959", declarou o economista cubano Daniel Torralbas, radicado em Londres.
Apesar disso, por enquanto não foi anunciado nenhum calendário de implementação, tampouco se cogita questionar o sistema político dominado pelo único partido permitido, o Partido Comunista.
Três anos após a revolução liderada por Fidel Castro, em 1959, as grandes empresas privadas, cubanas ou estrangeiras, foram nacionalizadas, seguidas pelos pequenos comércios e negócios familiares em 1968.
Desde então, ajustes recorrentes foram realizados no dogma da economia socialista, mas sem questionar os fundamentos de um sistema amplamente planejado e centralizado.
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Em 2021, porém, pela primeira vez em meio século, foram autorizadas as micro, pequenas e médias empresas (mipymes), com até 100 trabalhadores, para enfrentar a crise e o descontentamento social. Atualmente, elas somam mais de 10 mil e empregam um terço da população economicamente ativa.
Para Leonardo Paz, pesquisador do Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional da FGV (FGV NPII), as reformas levarão anos para terem impactos profundos, como atração de investimentos estrangeiros diretos.
"Primeiro que ainda não há um cronograma de quando as mudanças serão implementadas. E mesmo quando houver, os resultados concretos demorarão. Quando se fala de investimento externo, por exemplo, será necessário convencer os primeiros investidores mais aventureiros a aplicarem recursos, e depois os outros. Isso leva tempo."
Para Paz, a melhor chance para mudanças mais profundas em Cuba é a volta dos democratas ao poder nos EUA nas próximas eleições presidenciais, em dois anos.
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