Um novo mapeamento do mercado editorial, apresentado recentemente pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros em parceria com a consultoria Nielsen, ofereceu pela primeira vez um panorama mais exato para quantificar problemas que já eram conhecidos do mercado editorial brasileiro. Leia mais (06/19/2026 - 23h00)
Coluna assinada por Walter Porto, editor de Livros
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19.jun.2026 às 23h00
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Um novo mapeamento do mercado editorial, apresentado recentemente pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros em parceria com a consultoria Nielsen, ofereceu pela primeira vez um panorama mais exato para quantificar problemas que já eram conhecidos do mercado editorial brasileiro.
Segundo o levantamento, o Brasil tem hoje 1.047 editoras. Destas, 77% estão na região Sudeste —e 70% só nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro—, 13% na região Sul, 5% no Nordeste, 3% no Centro-Oeste e 2% no Norte do país. Quando se leva em conta os valores de faturamento, se vê que nada menos que 97% da receita do mercado editorial está no Sudeste.
O dado chama atenção para a desigualdade geográfica na produção de livros no país —quando se fala em bibliodiversidade, não se discute o suficiente que a maior parte do que se lê no Brasil reflete o trabalho de profissionais de apenas dois estados.
Aqui não se trata só de autoria —afinal, há muitos escritores de outras regiões publicados por editoras sediadas em São Paulo e Rio—, mas da cadeia de produção do livro, um aspecto nada trivial da questão.
"Há uma hiperconcentração não só de editoras, mas de distribuidoras, gráficas, profissionais de promoção e divulgação, às vezes localizados até no mesmo bairro", diz Kin Guerra, editor da baiana Solisluna, com 33 anos de história. "Essas pessoas se encontram e trocam informações. É muito mais difícil para quem está fora desse meio fazer com que o livro aconteça, que chegue a mais lugares."
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Patrícia Vasconcellos, que dirige a pernambucana Pó de Estrelas desde 2012, diz que, se os custos de impressão e distribuição já são mais altos fora dos grandes centros, os gastos para ir a festivais badalados como a Flip e a Feira do Livro é "absurdamente maior". "Como o povo de São Paulo vai conhecer meus livros? Como é para resenhas, prêmios? Por aí é fácil, está todo mundo perto."
A Pó de Estrelas faz um trabalho cuidadoso na produção de obras ilustradas e infantojuvenis, que acabam angariando menos destaque, segundo Vasconcellos. "Se sai um livro mais legalzinho das editoras daí, todo mundo fica conhecendo. Os nossos, para serem reconhecidos, precisam ter um nível de excelência muito grande", afirma.
Segundo Guerra, é um problema que não tem culpados ou vilões, causado por "um mercado que vai se retroalimentando". "Mas precisa haver um consenso de que é preciso descentralizar."
Caminhos apresentados pelos dois editores incluem fomento de políticas públicas não só para as editoras de fora do eixo Rio-São Paulo, mas para a formação de leitores e de uma cadeia literária robusta em outras regiões, com editais que privilegiem a produção local.
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