Quando junho chega, o São João também encontra lugar nas telas. Em alguns filmes, a celebração surge de frente, com quadrilha, sanfona, comida e festa na praça. Em outros, aparece menos evidente, mas continua ali: no jeito de falar, no humor da roça, n
Quando junho chega, o São João também encontra lugar nas telas. Em alguns filmes, a celebração surge de frente, com quadrilha, sanfona, comida e festa na praça. Em outros, aparece menos evidente, mas continua ali: no jeito de falar, no humor da roça, no romance que desafia padrões, na música que atravessa décadas e na memória de um Brasil que se reconhece quando a festa começa.
Entre documentários, animações, comédias e dramas, os festejos juninos deixam de ser apenas cenário para revelar modos de viver, saudades, fé e cultura popular. Conversamos com os professores de cinema e audiovisual Celso Sabadin e Juliana Monteiro, que elegeram produções que mostram como o amor pelo São João atravessa o cinema brasileiro.
Produzido pela extinta Embrafilme, o filme de 24 minutos mergulha no interior baiano (mais especificamente no Recôncavo Baiano) para mostrar como a tradição junina atravessa religiosidade, cultura popular e até o comércio. "É um verdadeiro tratado antropológico, histórico e social sobre os festejos juninos, uma obra seminal sobre o tema", afirma Celso Sabadin, professor de cinema e audiovisual na Universidade São Judas. Ele acrescenta: "A produção oferece um registro valioso de uma das manifestações culturais mais importantes do país". O roteiro e a direção são de Guido Araújo.
Onde assistir: www.youtube.com/watch?v=HT2A4iFtMrk
Com foco no público infantojuvenil, mas fãs de todas as idades, o filme leva para a tela o clima da roça nas HQs. "Com uma excelente adaptação das revistinhas em quadrinhos de Maurício de Sousa, a história de Chico Bento conversa diretamente com a energia das festas da colheita no meio do ano, lembrando os desejos mais simples e as comidas mais saborosas das regiões interioranas do país", pondera a professora da Anhembi Morumbi. Dirigido por Fernando Fraiha.
Onde assistir: www.primevideo.com/-/pt/detail/0OJ53BBJ97VMXRBEDFKSUGO37T
O documentário propõe uma viagem lúdica e musical pelo Nordeste brasileiro, reunindo alguns dos principais nomes responsáveis por criar, preservar e difundir a cultura das festas juninas. "Ao longo da narrativa, artistas como Sivuca, Dominguinhos e Gilberto Gil compartilham suas visões sobre a importância do São João para a identidade cultural brasileira", conta Sabadin. O filme tem roteiro de Emílio Domingos, Quito Ribeiro e Andrucha Waddington, que ainda assina a direção.
Onde assistir: artsandculture.google.com/asset/filme-document%C3%A1rio-viva-s%C3%A3o-jo%C3%A3o-com-gilberto-gil-do-cineasta-andrucha-waddington/lgFTO4EL_IdXxw?hl=pt-BR
É um curta-metragem pernambucano que foca no universo das quadrilhas juninas por meio da trajetória da Rosa Linda, Linda Rosa, coletivo de dança de Paudalho, um dos mais antigos do Brasil. "A produção mostra como tradição, arte e pertencimento caminham juntos na preservação dessa manifestação cultural, destacando o papel desses grupos na coesão social e na valorização da cultura regional", comenta o professor da São Judas. O roteiro é de Domingos Júnior, Marina Branco e Sérgio Santos, com direção de Domingos Júnior. Tem 37 minutos e pode ser visto no YouTube.
Onde assistir: www.youtube.com/watch?v=AwAspCwaySI
Produzido integralmente no Ceará, em Uiraponga, distrito de Morada Nova, o curta-metragem de 21 minutos mistura humor, crítica social e romance para retratar um São João marcado pela pandemia de Covid-19, na fictícia Uruiuti. "A história acompanha Firmino que, além de celebrar as festividades de seu santo protetor, São João, aguardava ansiosamente a oportunidade de se casar com Marizete. A obra utiliza o contexto da pandemia para refletir sobre afetos, tradições e resistência cultural", diz Sabadin. Tem roteiro de John Darly e direção de Vanderson Lima.
Onde assistir: www.youtube.com/watch?v=c4VmEq00cOs
Não é exatamente um filme sobre festa junina, mas passa por tudo o que ajuda a explicar a força dessa celebração no imaginário brasileiro: o baião, o sertão, a sanfona, a saudade e a música como território de memória. O longa acompanha a trajetória de Luiz Gonzaga e sua relação com o filho Gonzaguinha. "É uma excelente obra para compreender a complexidade do gênio de Gonzaga e uma construção para além do pai do forró e Rei do Baião", avalia Juliana Monteiro, professora de cinema e audiovisual da Universidade Anhembi Morumbi. É dirigido por Breno Silveira.
Onde assistir: www.netflix.com/br/title/81380287
Na opinião de Juliana Monteiro, filmes com o ator Amácio Mazzaropi são obrigatórios quando o tema é o caipira e suas saídas criativas para viver." Para além dos clichês e estigma, 'O Lamparina' é uma comédia bem construída, que percorre um caminho desde as dificuldades vivenciadas pelos sertanejos até suas festividades", argumenta. O olhar para o homem simples do interior, centrado no protagonista Bernardino Jabá, é a forma que o diretor Glauco Mirko Laurelli encontrou para falar dos costumes populares e retratar o Brasil rural.
Onde assistir: www.youtube.com/watch?v=Z6zwCGPIP-k
Voltado para o público infantil, o curta de animação paraibano acompanha Dona Dorinha, uma viúva que vive o isolamento da quarentena no sertão e revisita lembranças pessoais por meio das festas juninas que marcaram sua trajetória ao longo dos anos. "Com sensibilidade e forte identidade regional, a produção utiliza o imaginário do São João para abordar temas como memória, saudade e pertencimento", opina o professor da São Judas. O filme tem roteiro e direção de Bruna Velden. Atualmente não está disponível em plataformas de streaming ou na internet. O teaser pode ser visto no canal oficial no YouTube.
É outro que não tem a festa junina como tema central, mas carrega muito do espírito das festas populares: cidade pequena, encontros na praça, romance, música e confusão. Dirigido por Guel Arraes, o enredo é centralizado em Lisbela e o artista mambembe Leléu. "A ambientação sertaneja não é uma novidade quando a referência são as festas populares. 'Lisbela e o Prisioneiro' não fala de São João, mas tem toda a energia do casamento proibido e desejado ardentemente por dois amantes impossíveis", analisa Monteiro. A disponibilidade varia conforme a plataforma.
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