Temos ampla evidência dos resultados positivos da educação integral no Brasil até agora. Leia mais (06/19/2026 - 23h00)
Mestre em Economia Aplicada pela USP, é professora do Insper e foi secretária de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo
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19.jun.2026 às 23h00
Temos ampla evidência dos resultados positivos da educação integral no Brasil até agora.
A Secretaria Estadual de Educação de Santa Catarina, por exemplo, ofertou o Emiti (Ensino Médio Integral em Tempo Integral) a partir de uma metodologia do Instituto Ayrton Senna em 2018 e 2019 e a iniciativa foi avaliada com método padrão-ouro. Os resultados são grandes: em dois anos, foram 16 pontos a mais na escala Saeb em matemática, mais do que o triplo no estado naquele momento.
Um estudo feito sobre o modelo de integral de Pernambuco também encontrou resultados importantes. No entanto, a maioria desses estudos foi feita até 2020, quando tínhamos poucas matrículas nesse modelo.
Seria importante realizarmos mais estudos experimentais. Faltam análises sobre a manutenção desses resultados quando há uma expansão das matrículas. Infelizmente, as evidências preliminares sobre a expansão feita até hoje apontam para uma redução dos resultados do ensino integral. A expansão com qualidade é desafiadora.
De acordo com o MEC (Ministério da Educação), o integral contempla 22,9% das matrículas e o novo PNE (Plano Nacional de Educação), que deverá nortear as ações no campo educacional nos próximos 10 anos, estabelece a meta de atender 50% dos estudantes no integral até o final de sua vigência. Portanto, o plano nacional estabelece uma meta de mais do que dobrar a matrícula em tempo integral no Brasil.
O país todo sonha com todos nossos alunos aprendendo tudo que deveriam aprender. A escolha nacional, do terceiro setor e da sociedade civil, é de apostar no modelo de educação integral que trouxe bons resultados até agora. No entanto, tardamos em refletir, estudar e debater com mais profundidade um antigo conhecido das políticas em expansão: manter os resultados conforme o acesso ganha escala. Quais condições são necessárias para sustentar os resultados do integral em escala?
As primeiras evidências, ainda em estudo, não parecem apontar na direção de que conseguimos implementar a sustentação de bons resultados. O Ideb de 2023 das escolas em tempo integral, aqui consideradas as que têm ao menos 10% da matrícula nessa modalidade, perdeu cerca de um terço do seu benefício de ser integral em comparação com as escolas regulares, em relação a 2019. Ou seja, se em 2019 o benefício das integrais em comparação com as regulares era de três unidades, em 2023 esse benefício é de duas unidades.
Esses resultados variam conforme o conceito de integral adotado e a adição de controles. No entanto, a perda do adicional de ser integral se sustenta em boa parte dos cenários. Os dados do Ideb de 2025, que serão disponibilizados ainda este ano, trarão novas evidências. Precisamos aprofundar esse entendimento. Algumas hipóteses são que esses resultados refletem consequências da pandemia ou de escolas que estão maturando o modelo. Seguir acompanhando os resultados para corroborá-las é crucial.
É importante lembrar que, conforme mostra o estudo de Duncan e Magnuson sobre a primeira infância nos Estados Unidos, o alto impacto no início de sua implementação não se sustenta ao longo das décadas e vai tendendo a zero. Nesse cenário, quais são os marcadores que gostaríamos de acompanhar para garantir que os alunos sigam aprendendo cada vez mais? Tardamos a discuti-los e debatê-los. Em particular, as consequências para a desigualdade podem ser importantes.
É desafiador manter a qualidade ao mesmo tempo em que as matrículas aumentam. O objetivo brasileiro de aumentar de 22,9% para 50% das matrículas envolverá cuidados que precisamos explicitar com maior ênfase. Estarmos preparados para monitorar, avaliar e fazer as correções necessárias para garantir que nossos alunos aprendam cada vez mais é urgente.
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