A energia nuclear é, sem dúvida, uma das forças mais transformadoras e debatidas da era moderna. Nascida da compreensão do poder oculto nos átomos, esta tecnologia redefiniu a ciência, a produção de eletricidade e até a geopolítica do último século. O processo baseia-se fundamentalmente na fissão nu...

Embora a ideia do átomo remonte à Grécia Antiga com Demócrito, foi apenas no século XIX e início do século XX que cientistas como John Dalton, Michael Faraday e Wilhelm Roentgen começaram a desvendar os seus segredos físicos e elétricos. Muitas destas descobertas iniciais com materiais como o urânio foram feitas com custos para a própria saúde dos pioneiros, que desconheciam os perigos da radiação. Em 1929, o físico Enrico Fermi apresentou os princípios da fissão e a importância da termalização de neutrões, mas foi em 1939 que Otto Hahn, Lise Meitner e Fritz Strassman conseguiram realizar a fissão do núcleo de urânio de forma a gerar grandes quantidades de eletricidade.

Este potencial imenso chamou rapidamente a atenção militar. Durante a Segunda Guerra Mundial, após alertas de Albert Einstein sobre avanços da Alemanha nazi, os Estados Unidos iniciaram o Projeto Manhattan. Em 1942, o primeiro reator nuclear entrou em funcionamento sob a supervisão de Fermi na Universidade de Chicago. O culminar deste esforço bélico ocorreu em 1945, primeiro com o teste no Novo México (retratado no filme Oppenheimer) e, tragicamente, em agosto do mesmo ano, com o lançamento das bombas sobre Hiroshima e Nagasaki. O resultado de centenas de milhares de mortos marcou o início de uma nova era de controlo e regulação atómica na Guerra Fria.

Com o fim da guerra, o foco virou-se para a utilização pacífica. Na década de 1950, surgiram os primeiros reatores experimentais para a rede elétrica no estado do Idaho e para propulsão, como o submarino USS Nautilus (1954). Pelo mundo fora, a adoção expandiu-se. No Brasil, por exemplo, a Comissão Nacional de Energia Nuclear foi criada em 1956, culminando na operação comercial da central Angra 1 em 1982, e posteriormente da Angra 2 em 2001, embora projetos como o da Angra 3 permaneçam paralisados.

A crise petrolífera de 1970 impulsionou países como a França e a Espanha a apostarem fortemente no setor, assinando-se também o Tratado de Não Proliferação Nuclear por dezenas de nações. No entanto, a reputação da tecnologia sofreu reveses severos devido a falhas de segurança e erros humanos. Incidentes graves como o de Three Mile Island (1979) nos EUA, o desastre catastrófico de Chernobyl (1986) na atual Ucrânia, a má gestão de materiais que resultou no caso do césio-137 em Goiânia (1987) e a falha dos reatores em Fukushima (2011) devido a um tsunami, relembraram o planeta dos riscos profundos associados à radioatividade.

Nos anos mais recentes, a expansão encontrou novos rumos geográficos. A China assumiu-se como um polo vital desde a década de 1990, contando já em 2019 com 45 reatores em funcionamento e muitos mais aprovados. Atualmente, o setor atómico começou a ser encarado como uma possível solução para a elevada procura energética dos modernos centros de dados, essenciais para sustentar os avanços nos serviços de inteligência artificial.

Adicionar o TugaTechcomo Fonte Preferida no Google Escrito por Pedro Fernandes (DJPRMF) Aficionado por tecnologia desde o tempo dos sistemas a preto e branco