Após reação tanto de democratas quanto de republicanos no Congresso, o governo Trump suspendeu a decisão de pôr fim à Iniciativa de Observatórios Oceânicos. O sistema é considerado essencial para o estudo das mudanças climáticas e dos ecossistemas marinhos. Leia mais (06/19/2026 - 10h40)
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19.jun.2026 às 10h40
Washington | The New York Times
Após reação tanto de democratas quanto de republicanos no Congresso, o governo Trump suspendeu a decisão de pôr fim à Iniciativa de Observatórios Oceânicos. O sistema é considerado essencial para o estudo das mudanças climáticas e dos ecossistemas marinhos.
Em maio, a Fundação Nacional de Ciência (NSF, na sigla em inglês) havia dito que enviaria navios para começar a retirar instrumentos ancorados no fundo do mar nas costas do Oregon, do estado de Washington, do Alasca, da Carolina do Norte e de uma área entre a Groenlândia e a Islândia conhecida como mar de Irminger.
Os instrumentos coletam dados nos oceanos Atlântico e Pacífico sobre inundações costeiras, ondas de calor marinhas e outros eventos climáticos e meteorológicos.
Nesta quinta (18), a NSF disse que vai suspender a medida e convocar um painel de especialistas para determinar o futuro do sistema. "Com efeito imediato, a NSF não prosseguirá com a remoção ou redução de equipamentos", declarou a agência em comunicado.
No dia anterior, quarta (17), o Senado aprovou uma medida que impediria o governo de desativar o sistema, com congressistas de ambos os partidos dizendo que a ação seria ilegal e ameaçaria a segurança das comunidades costeiras. A administração Trump também havia tentado cortar os recursos do programa nos últimos dois anos, contudo o Congresso restaurou o dinheiro em ambas as ocasiões.
Na última década, cientistas usaram dados desses instrumentos para entender como o oceano está absorvendo gases de efeito estufa da atmosfera, como ondas de calor marinhas podem afetar a pesca e em quanto tempo uma corrente oceânica vital pode entrar em colapso.
Pescadores consultam os dados em tempo real, disponíveis publicamente, sobre condições de vento e ondas antes de ir para o mar. Meteorologistas, por sua vez, recorrem a essas observações para melhorar previsões de desastres como furacões e tsunamis.
A NSF afirmou nesta quinta que já havia retirado algumas boias, sensores e outros instrumentos da água na costa dos estados de Oregon e Washington, mas estava "desenvolvendo planos para reinstalar os equipamentos após manutenção".
Edward Dever, professor de oceanografia na Universidade Estadual de Oregon que ajuda a gerenciar os instrumentos na costa de Oregon e Washington, disse que a agência havia removido 6 das 7 boias de ancoragem da área. Segundo ele, encontrar embarcações para recolocar as boias poderia levar vários meses.
"Acredito que poderíamos ter uma boia pronta para ser instalada antes do final do verão e 1 ou 2 prontas até o outono", afirmou Dever. "Os navios geralmente são agendados com cerca de um ano de antecedência. Agendar expedições em cima da hora às vezes pode ser feito, mas é um desafio."
O Senado aprovou na quarta-feira, de forma unânime, um acordo para preservar o sistema. Embora a medida enfrentasse um destino incerto na Câmara, foi o mais recente episódio em que o Congresso exerceu seu poder orçamentário para frustrar as tentativas do governo Trump de cortar programas climáticos e ambientais.
A medida foi proposta pelos senadores Jeff Merkley, democrata do Oregon, e Lisa Murkowski, republicana do Alasca.
Em entrevista na quinta-feira, Murkowski criticou o governo Trump por não consultar o Congresso antes de começar a remover alguns equipamentos de monitoramento. "A NSF seguiu em frente por conta própria, não apenas unilateralmente, mas sem nenhum aviso, nenhum alerta. Eles nem se deram ao trabalho de nos consultar e foi aí que aconteceu a verdadeira falha."
A republicana afirmou que as indústrias pesqueiras do Alasca dependem dos dados oceânicos para determinar como o aumento das temperaturas ameaça algumas espécies. Ainda segundo ela, outros dados são cruciais para entender o El Niño, o fenômeno climático que se formou no Pacífico e pode intensificar eventos climáticos extremos ao redor do mundo.

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