Tensões geopolíticas e inflação persistente impulsionam taxas americanas aos maiores níveis em 19 anos
Compartilhar matériaOs juros dos títulos públicos dos Estados Unidos atingiram níveis elevados para os padrões da maior economia do mundo e reacenderam alertas no mercado financeiro global.
As taxas dos Treasuries de 30 anos chegaram ao patamar de 5%, enquanto os papéis de 10 anos bateram 4,6%, maiores patamares em 19 anos.
O movimento se dá em meio à inflação persistente, preocupações fiscais e incertezas geopolíticas, além de provocar impactos nas bolsas de valores e em outros ativos.
Segundo Marilia Fontes, apresentadora da Resenha do Dinheiro, o avanço dos juros americanos pressiona praticamente todos os mercados globais, pois os Treasuries são considerados referência para precificação de ativos ao redor do mundo.
“O juro é a mãe da bolsa e de todos os investimentos. Quando os juros sobem, vemos o bitcoin performando mal, a bolsa e outros ativos também”, explica Marilia.
A inflação americana segue como um dos principais fatores por trás da manutenção das taxas elevadas, avalia Thiago Godoy, educador financeiro.
“O cenário pressiona os mercados, apesar de a economia e o mercado de trabalho continuarem resilientes. Ainda assim, a inflação segue preocupando”, observa Godoy.
Outro fator acompanhado de perto pelo mercado é o comportamento do petróleo. Nesta última quarta-feira (17), um acordo de paz assinado por Irã e Estados Unidos provocou forte queda na commodity, que voltou a ser negociada abaixo dos US$ 77.
Segundo Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb, o petróleo dificilmente retornará aos níveis registrados antes do conflito.
“Os analistas acreditam que o petróleo não voltará aos níveis anteriores à guerra. Esse é o grande ponto para acompanhar nos próximos meses, porque isso está diretamente relacionado à inflação global e americana”, afirma Pascowitch.
Diante desse cenário, os especialistas apontam que investidores passaram a buscar estratégias para aproveitar tanto a alta quanto uma eventual queda dos juros americanos. Uma das alternativas é investir diretamente em Treasuries por meio de ETFs.
“O investidor consegue investir em Treasuries e ganhar com fechamento de curva. Quando as taxas caem, os prefixados têm ganhos com a marcação a mercado”, aconselha a apresentadora.
Ao mesmo tempo, Godoy destaca que os juros elevados nos EUA acabam reduzindo o fluxo de capital para países emergentes, já que investidores globais tendem a priorizar ativos americanos diante da maior rentabilidade oferecida pelos títulos do governo norte-americano.
Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.
A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.


0 Comentário(s)
Deixe seu comentário