A PF disse que agentes estão cumprindo 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF, na Bahia, São Paulo e Distrito Federal.
Uma nova fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal — que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes envolvendo o Banco Master — foi deflagrada nesta quinta-feira (18/06) e tem, entre os seus alvos, o senador Jaques Wagner (PT-BA).
Outro alvo da operação é o banqueiro Augusto Ferreira Lima. Wagner é líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado.
"O senador Jaques Wagner é apontado pela Polícia Federal como suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas, figurando como agente público em favor de quem teriam sido estruturados pagamentos, benefícios e aquisições patrimoniais", afirma decisão assinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que é relator do caso.
O senador teria recebido pagamentos e benefícios em troca de apoio por medidas no Congresso que ajudariam o Banco Master, como a chamada "Emenda Master" — algo que ele nega (leia abaixo).
Já Augusto Ferreira Lima é descrito como "gestor ligado ao Banco Master, principal interlocutor privado de Jaques Wagner e figura central na suposta entrega de vantagens econômicas indevidas ao parlamentar e a pessoas de seu entorno".
Esta é a 9ª fase da Compliance Zero, que foi iniciada em 2025.
A PF disse que agentes cumpriram 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF na Bahia, São Paulo e Distrito Federal.
"Também estão sendo cumpridas medidas cautelares diversas da prisão, como proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaporte", afirma a nota da polícia.
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"Os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, de corrupção ativa e de lavagem de dinheiro."
Foram autorizadas buscas em endereços ligados ao senador — mas não dentro de seu gabinete no Senado.
A Polícia Federal apreendeu cerca de US$ 55 mil dólares e outros € 33,5 mil na operação desta quinta-feira. Uma fonte que acompanha as investigações afirmou à BBC News Brasil em caráter reservado que o dinheiro foi encontrado em dois endereços ligados a Jaques Wagner. Um no Distrito Federal e outro na Bahia.
Em entrevista ao canal de TV Band, horas após a operação, Wagner negou ter recebido qualquer valor relacionado ao Master ou ter atuado para beneficiar o banco. Também disse não ter relação com Daniel Vorcaro, dono da instituição liquidada que está preso.
Afirmou ainda que continua como líder do governo Lula no Senado e mantém seu objetivo de disputar um novo mandato de senador em outubro.
"O presidente Lula ligou para mim para se solidarizar, dizer que mantém absoluta confiança. A gente se conhece há 48 anos e, portanto, ele sabe o meu jeito de agir", contou.
Wagner confirmou que os US$ 55 mil e os € 33,5 mil apreendidos pela PF na operação são seus, mas negou qualquer ilegalidade.
Segundo ele, os valores correspondem a diárias recebidas do Senado devido a viagens internacionais realizadas no exercício do seu mandato ou a valores que ele mesmo comprou no Banco do Brasil para viagens internacionaus.
Wagner disse que costuma pagar as contas no exterior no cartão de crédito, em vez de gastar os valores em espécie recebidos pelas diárias.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, emitiu uma nota na qual afirma que Wagner é "depositário de toda a nossa confiança".

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