Ministros aliados do premiê do Reino Unido, Keir Starmer, afirmaram ao líder que ele corre o risco de ser expulso do cargo pelo próprio partido se não anunciar um calendário de saída até o fim deste fim de semana, segundo pessoas próximas ao governo ouvidas pelo jornal britânico The Guardian. Leia mais (06/19/2026 - 17h46)
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19.jun.2026 às 17h46
Ministros aliados do premiê do Reino Unido, Keir Starmer, afirmaram ao líder que ele corre o risco de ser expulso do cargo pelo próprio partido se não anunciar um calendário de saída até o fim deste fim de semana, segundo pessoas próximas ao governo ouvidas pelo jornal britânico The Guardian.
Andy Burnham, que obteve vitória expressiva na eleição parcial de Makerfield nesta quinta-feira (18), deve viajar a Londres na segunda para se reunir com parlamentares trabalhistas. A expectativa é de que ele assuma o posto de primeiro-ministro em questão de semanas. Um ministro do gabinete que até então não havia pedido a saída de Starmer afirmou ao jornal que a partida do premiê se tornou inevitável.
Burnham, prefeito de Manchester, no norte da Inglaterra, conquistou uma cadeira no Parlamento na quinta, um passo decisivo em seus planos de disputar com Starmer a liderança do Partido Trabalhista e do país.
Um parlamentar estimou que cerca de 200 parlamentares trabalhistas estariam dispostos a assinar os papéis de candidatura de Burnham caso uma disputa formal se torne necessária —embora seus apoiadores apostem em uma sucessão sem contestação.
Na tarde desta sexta, Starmer ligou para integrantes do gabinete para reafirmar a intenção de continuar no cargo. A ministra dos Transportes, Heidi Alexander, teria expressado preocupações durante a chamada, segundo pessoas ouvidas pelo Guardian. Ed Miliband e Shabana Mahmood, chefes das pastas de Segurança Energética e Assuntos Internos, respectivamente, já haviam sugerido anteriormente que Starmer estabelecesse um prazo para deixar o poder.
Todo mundo acha que acabou e todo mundo quer uma saída digna e ordenada, afirmou uma pessoa do gabinete ao Guardian.
Duas figuras históricas do Partido Trabalhista, os parlamentares David Blunkett e Harriet Harman, também defenderam publicamente a definição de um calendário para uma nova liderança. Fontes seniores do partido avaliam que, se Starmer não renunciar no fim de semana nem sinalizar uma transição, haverá uma pressão aberta na reunião de gabinete de terça.
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A comparação com o colapso do ex-premiê Boris Johnson —que trocou três secretários de Educação em três dias— foi evocada como alerta.
Aliados de Starmer, porém, argumentam que ele ainda tem margem de manobra, justamente porque Burnham quer evitar o desgaste de uma disputa formal. Um memorando preparado por apoiadores do premiê, obtido pelo Guardian, sustenta que Burnham "ainda não enfrentou nenhum escrutínio real" e que uma disputa contestada exporia fragilidades do favorito. O documento também aponta que a popularidade de Burnham está em queda.
Entre os que resistem a uma coroação de Burnham, cresce o apoio a Darren Jones, secretário-chefe do Tesouro, como alternativa. Apoiadores de Jones afirmam que ele reúne experiência econômica e em segurança nacional, tem apelo nacional —e não apenas regional— e representa uma renovação geracional. Uma pessoa próxima a Jones afirmou que ele "concorda com o primeiro-ministro que este não é o momento para uma eleição de liderança".
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Ao ser questionado por jornalistas em evento no norte de Londres, Starmer foi direto: "Se houver uma disputa, para ser claro, sim, vou concorrer." Ele alertou que um processo desse tipo "mergulharia [o país] no caos" e pediu que o partido se una para a eleição parcial que preencherá a cadeira de Burnham na prefeitura de Manchester.

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