Algumas raças de cães já são seletivas "naturalmente" - Canva Ter um pet que apresenta resistência na hora da alimentação pode ser mais desafiador do que parece. Por mais que seja costume pensar que o animal vai comer quando sentir fome “de verdade”, a realidade é que tutores de animais com apetite seletivo enfrentam desafios para manter a saúde do animal em dia.
Recusa de ração, preferência por determinados alimentos, longos períodos sem comer e até perda de peso estão entre os sinais que costumam preocupar famílias com pets seletivos na hora de comer. Embora muitos enxerguem o comportamento como “manha”, a seletividade alimentar pode estar ligada a fatores emocionais, hábitos inadequados e até problemas de saúde.
Em alguns casos, o pet perde o interesse pela comida habitual após receber petiscos em excesso ou alimentação humana.
“Náusea, gastrite, refluxo, dor, problemas dentários, doenças infecciosas, entre outras doenças, podem causar a redução e até a falta de apetite no animal. Na maioria dos casos, não é dengo. Muitos animais são seletivos ou por questões de saúde, ou por terem sido apresentados a alimentos inapropriados para a espécie, que além de causarem “vício” (açúcar e carboidratos), inflamam todo o organismo do animal”, explicou a médica-veterinária Viviane Medeiros.
Segundo a médica-veterinária, a alimentação seletiva é comum para animais com mais sensibilidade no paladar.
“Alguns pets têm mais potencial para ser seletivos devido à predisposição racial ou por ter um perfil mais exigente com comida, como Spitz Alemão, Yorkshire, Shih-tzu, Rusky Siberiano e gatos mais sensíveis ao cheiro e textura do alimento. Além disso, animais com instinto mais aflorado muitas vezes demonstram maior interesse por alimentos naturais do que por ração”, explicou.
O problema é quando essa alimentação seletiva empobrece nutricionalmente a dieta do animal. Quando o pet passa a comer menos do que o necessário, pode desenvolver perda de peso, queda de imunidade, falta de energia e deficiência de nutrientes importantes para o funcionamento do organismo.
“Quando a seletividade ocorre desde filhote, mesmo ofertando sempre o mesmo alimento, a questão poderia ser evitada ou melhorada com conhecimento em manejo alimentar e comportamento animal. Se o pet se recusa a comer alimentos sólidos após o desmame, por exemplo, uma boa estratégia é começar oferecendo o alimento mais úmido e levemente aquecido, pois o cheiro fica mais atrativo”, orientou Viviane.
Outro ponto apontado pela especialista é a tentativa de variar a alimentação para “conquistar” o paladar do pet. Segundo Viviane, ofertar vários tipos de alimentação ao mesmo tempo pode tornar o pet ainda mais seletivo.
“Misturar frango, carne ou petiscos é um costume bem difundido quando falamos em seletividade alimentar, porém, preciso alertar que esse hábito pode causar mais malefícios do que benefícios, visto que contribui para que o animal crie o hábito de escolher qual alimento ele prefere naquele momento”, contou.
Com relação à essa prática, a médica-veterinária aconselha: “Precisamos abolir o hábito de “incluir e variar” alimentos para animais seletivos, precisamos tratar diretamente a causa. Na maioria dos casos, a mudança para outra modalidade de alimentação e o acompanhamento comportamental resultam em melhora significativa da seletividade”.
Se, mesmo assim, a seletividade continuar, o tutor deve levar esse animal para o veterinário para que seja traçada uma estratégia de nutrição eficaz que evite riscos à saúde do pet. “É imprescindível o acompanhamento de um veterinário nutrólogo e/ou de um veterinário comportamentalista”, orientou a médica-veterinária.

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